"Poveretta"

Carla Zambelli segue presa na Itália e extradição avança

Deputada federal seguirá detida na Itália; extradição pode durar até um ano e meio
Carla Zambelli - Foto: Reprodução
Carla Zambelli - Foto: Reprodução
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Roma – 1º de agosto de 2025 – A Corte de Apelação de Roma decidiu nesta sexta-feira manter a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) presa no presídio feminino de Rebibbia, enquanto tramita o pedido de extradição para o Brasil. A parlamentar foi detida em Roma, após ter fugido do país para evitar o cumprimento da pena de 10 anos de prisão imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Defesa tenta barrar extradição ou cumprir pena na Itália

Carla Zambelli, que tem cidadania italiana, foi localizada no apartamento de uma empresária brasileira na capital italiana, na última terça-feira (29). A detenção ocorreu após articulações do governo brasileiro, que já formalizou o pedido de extradição por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), acionada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

A defesa da deputada afirmou que tentará impedir a extradição. Caso não tenha sucesso, deverá solicitar que a pena seja cumprida na Itália, com base em tratados internacionais e na legislação local. Zambelli poderá continuar presa em Rebibbia, onde tem direito a visitas do pai e de seu advogado.

Processo de extradição pode se estender por mais de um ano

A tramitação do processo de extradição dependerá de duas instâncias judiciais italianas: a própria Corte de Apelação e a Corte de Cassação. Mesmo após o aval do Judiciário, a palavra final caberá ao ministro da Justiça da Itália, que poderá decidir politicamente se extradita ou não a parlamentar.

A estimativa inicial é de que o processo completo leve entre seis meses e um ano e meio. A próxima audiência está prevista para meados de agosto, mas ainda sem data definida.

STF já determinou perda do mandato da parlamentar

Além da pena de prisão, o Supremo Tribunal Federal determinou a perda do mandato de Zambelli. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados deve analisar o caso a partir de agosto. Se confirmada a decisão, a parlamentar será formalmente destituída do cargo.

Zambelli foi condenada por contratar um hacker que inseriu um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Após a condenação, ela saiu do Brasil pela fronteira com a Argentina, passou pelos Estados Unidos (EUA) e entrou na Itália.

Desde então, Moraes determinou o bloqueio de suas contas bancárias, redes sociais e passaporte diplomático.

Entenda as acusações contra Carla Zambelli e o pedido de extradição

Por que Carla Zambelli está presa na Itália?

Ela foi detida após ser localizada em Roma, onde se escondia desde que fugiu do Brasil. A Justiça italiana manteve sua prisão preventiva durante o processo de extradição.

Qual foi o crime que levou à condenação?

Zambelli foi condenada por contratar um hacker para inserir um mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes no sistema do CNJ, em uma tentativa de desestabilizar instituições democráticas.

Como funciona o processo de extradição na Itália?

A extradição envolve análise por dois tribunais e decisão final do ministro da Justiça da Itália, que pode aceitar ou recusar o pedido com base em critérios políticos e diplomáticos.

O que acontece se a extradição for recusada?

Caso a Itália se recuse a extraditar, a defesa pretende solicitar que Zambelli cumpra a pena no próprio país, algo previsto em tratados internacionais.

Qual será o próximo passo da Justiça brasileira?

A Câmara dos Deputados deve analisar a perda do mandato parlamentar. A AGU seguirá atuando junto às autoridades italianas para viabilizar o retorno da deputada ao Brasil.

Prisão no exterior reforça tensão entre bolsonaristas e Judiciário

A manutenção da prisão de Carla Zambelli no exterior reforça o clima de tensão entre a base bolsonarista e o Supremo Tribunal Federal, que intensificou ações contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A eventual extradição da deputada pode representar novo embate institucional e terá repercussão no Congresso, especialmente no Partido Liberal (PL).

O caso também poderá abrir precedente jurídico sobre o cumprimento de penas por brasileiros com dupla cidadania em outros países. O desfecho do processo será acompanhado de perto por entidades internacionais e pode afetar a relação diplomática entre o Brasil e a Itália.

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