Brasília, 6 de agosto de 2025 — Senadores aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protagonizaram um ato teatral nesta quarta-feira (6), ao se acorrentarem à mesa do plenário do Senado Federal, em protesto contra a condução dos trabalhos legislativos e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação, no entanto, não impediu a retomada das comissões permanentes e não surtiu efeito na estratégia da presidência da Casa, que tenta preservar o funcionamento do Congresso Nacional.
Os senadores Magno Malta (PL-ES) e Eduardo Girão (Novo-CE), além do deputado Hélio Lopes (PL-RJ), lideraram a cena no plenário. O gesto marcou o ponto alto de um movimento iniciado na terça-feira (5), em reação à prisão domiciliar de Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Presidência do Senado evita confronto direto com bolsonaristas
Mesmo diante da tentativa de obstrução, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), adotou uma estratégia de contenção sem confronto. Evitou acionar a Polícia Legislativa para a retirada dos parlamentares acorrentados, mas atuou nos bastidores para garantir a continuidade das comissões e a pauta legislativa.
Nesta quarta, retomaram os trabalhos as comissões de Constituição e Justiça (CCJ), Direitos Humanos (CDH), Meio Ambiente (CMA), Ciência e Tecnologia e Esporte (CEsp). A CCJ, principal comissão do Senado, deliberou sobre indicações e nomeações, sinalizando normalidade institucional.
Segundo fontes próximas à presidência do Senado, Alcolumbre tem feito articulações com líderes partidários para minimizar os impactos da crise e impedir que o movimento oposicionista paralise o Congresso. A maior preocupação, segundo interlocutores, é preservar a imagem do Parlamento frente ao que tem sido visto como um “protesto midiático”.

Protesto pressiona por anistia e impeachment de Moraes
O grupo bolsonarista exige a votação do projeto de anistia a investigados pelos atos golpistas de 8 de janeiro e o avanço dos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes. Em coletiva, parlamentares afirmaram que só recuarão após essas demandas entrarem na pauta.
A ação ameaça medidas com impacto direto na população. Entre elas, o projeto que isenta do Imposto de Renda quem ganha até dois salários mínimos (R$ 3.036). A proposta precisa ser votada até segunda-feira (11) para não perder validade. A previsão era que entrasse em votação no plenário do Senado entre esta quarta e quinta-feira.
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Congresso deve manter funcionamento, mas avalia reação dura
Apesar do impasse, a tendência é de que os trabalhos legislativos sigam em ritmo gradual, com apoio da maioria das bancadas. Ainda assim, o clima é de tensão no Congresso. Caso o protesto se intensifique ou atrapalhe o funcionamento das sessões plenárias, a presidência do Senado poderá adotar medidas mais rígidas.
A reação da base bolsonarista à prisão domiciliar de Bolsonaro marca um acirramento institucional, com mobilizações dentro e fora do Parlamento. No entanto, a resposta das instituições até agora tem sido no sentido de preservar a normalidade legislativa, ainda que sob forte pressão política.

