Xadrez Paulista

Lula pensa lançar Tebet candidata para frear a devastação bolsonarista em São Paulo

O xadrez palaciano busca um palanque de peso no maior colégio eleitoral do país, enquanto o MDB flerta com o retrocesso de Tarcísio de Freitas.
Simone Tebet - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Simone Tebet - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O Palácio do Planalto, ciente de que a manutenção da democracia em 2026 passa obrigatoriamente pelo asfalto e pelo interior de São Paulo, tenta converter o pragmatismo da “Frente Ampla” em uma barreira de contenção contra o avanço do fascismo regional. A possível movimentação de Simone Tebet para o governo paulista não é apenas uma conveniência eleitoral; é uma tentativa de repetir a costura estética de 1945 contra o autoritarismo, desta vez tentando desidratar a extrema-direita em seu novo bunker. Enquanto Fernando Haddad prefere o rigor técnico da Fazenda — em uma postura quase benjaminiana de quem entende o peso da responsabilidade fiscal como ferramenta de estabilidade social — Lula busca na ministra do Planejamento a síntese do centro-esclarecido que pode dialogar com o agronegócio paulista sem as botas sujas do golpismo.

OS FATOS

  • O presidente Lula articula a transferência de domicílio eleitoral de Simone Tebet para São Paulo, visando um palanque de centro-esquerda robusto para enfrentar a reeleição de Tarcísio de Freitas.
  • O MDB paulista, controlado por Baleia Rossi, demonstra fidelidade canina ao atual governador, utilizando a vitória de Ricardo Nunes como álibi para consolidar uma federação que flerta abertamente com a direita.
  • A definição estratégica está agendada para março de 2026, condicionada à permanência de Haddad no ministério e à viabilidade jurídica da transferência de Tebet, que ainda é disputada por seu reduto original no Mato Grosso do Sul.

As contradições do partido que já foi de Ulysses

A resistência do MDB não surpreende quem conhece as entranhas da política nacional: o partido, que um dia foi a trincheira de Ulysses Guimarães contra a ditadura, hoje parece mais interessado em cargos e na manutenção do status quo sob a batuta de Tarcísio. Como diria Bertolt Brecht, “do que adianta construir estradas se elas levam ao abismo?”. O apoio emedebista ao bolsonarismo “com verniz” em São Paulo é a prova de que a elite do atraso não tem projeto de país, apenas de poder. Tebet, por outro lado, representa o risco de um diálogo civilizado que a burguesia paulistana, viciada em privilégios, parece temer profundamente.

MAPA DA HIPOCRISIA ELEITORAL

Ator PolíticoPosição OficialIntenção Oculta
Lula (PT)Unir a frente ampla em SPIsolar Tarcísio e garantir a reeleição federal
Baleia Rossi (MDB)Apoio a Tarcísio por “gratidão”Manter as secretarias e a influência regional
Simone Tebet (MDB)“À disposição do projeto”Consolidar-se como sucessora viável para 2030
Fernando Haddad (PT)Foco total na economiaEvitar um novo desgaste em eleições estaduais

A FRENTE AMPLA SOBREVIVE AO PRAGMATISMO DAS CÚPULAS PARTIDÁRIAS?

A sobrevivência depende de a esquerda não se perder em purismos estéreis enquanto a direita se unifica em torno do ódio e da pilhagem do patrimônio público. A ida de Tebet para São Paulo seria o xeque-mate necessário para mostrar que a democracia é um valor inegociável, superior aos acordos de gabinete que hoje sustentam o governo estadual sob a sombra do “posto Ipiranga” paulista.

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