O Palácio do Planalto, ciente de que a manutenção da democracia em 2026 passa obrigatoriamente pelo asfalto e pelo interior de São Paulo, tenta converter o pragmatismo da “Frente Ampla” em uma barreira de contenção contra o avanço do fascismo regional. A possível movimentação de Simone Tebet para o governo paulista não é apenas uma conveniência eleitoral; é uma tentativa de repetir a costura estética de 1945 contra o autoritarismo, desta vez tentando desidratar a extrema-direita em seu novo bunker. Enquanto Fernando Haddad prefere o rigor técnico da Fazenda — em uma postura quase benjaminiana de quem entende o peso da responsabilidade fiscal como ferramenta de estabilidade social — Lula busca na ministra do Planejamento a síntese do centro-esclarecido que pode dialogar com o agronegócio paulista sem as botas sujas do golpismo.
OS FATOS
- O presidente Lula articula a transferência de domicílio eleitoral de Simone Tebet para São Paulo, visando um palanque de centro-esquerda robusto para enfrentar a reeleição de Tarcísio de Freitas.
- O MDB paulista, controlado por Baleia Rossi, demonstra fidelidade canina ao atual governador, utilizando a vitória de Ricardo Nunes como álibi para consolidar uma federação que flerta abertamente com a direita.
- A definição estratégica está agendada para março de 2026, condicionada à permanência de Haddad no ministério e à viabilidade jurídica da transferência de Tebet, que ainda é disputada por seu reduto original no Mato Grosso do Sul.
As contradições do partido que já foi de Ulysses
A resistência do MDB não surpreende quem conhece as entranhas da política nacional: o partido, que um dia foi a trincheira de Ulysses Guimarães contra a ditadura, hoje parece mais interessado em cargos e na manutenção do status quo sob a batuta de Tarcísio. Como diria Bertolt Brecht, “do que adianta construir estradas se elas levam ao abismo?”. O apoio emedebista ao bolsonarismo “com verniz” em São Paulo é a prova de que a elite do atraso não tem projeto de país, apenas de poder. Tebet, por outro lado, representa o risco de um diálogo civilizado que a burguesia paulistana, viciada em privilégios, parece temer profundamente.
MAPA DA HIPOCRISIA ELEITORAL
| Ator Político | Posição Oficial | Intenção Oculta |
| Lula (PT) | Unir a frente ampla em SP | Isolar Tarcísio e garantir a reeleição federal |
| Baleia Rossi (MDB) | Apoio a Tarcísio por “gratidão” | Manter as secretarias e a influência regional |
| Simone Tebet (MDB) | “À disposição do projeto” | Consolidar-se como sucessora viável para 2030 |
| Fernando Haddad (PT) | Foco total na economia | Evitar um novo desgaste em eleições estaduais |
A FRENTE AMPLA SOBREVIVE AO PRAGMATISMO DAS CÚPULAS PARTIDÁRIAS?
A sobrevivência depende de a esquerda não se perder em purismos estéreis enquanto a direita se unifica em torno do ódio e da pilhagem do patrimônio público. A ida de Tebet para São Paulo seria o xeque-mate necessário para mostrar que a democracia é um valor inegociável, superior aos acordos de gabinete que hoje sustentam o governo estadual sob a sombra do “posto Ipiranga” paulista.

