Rio Abandonado

Governo do Rio: Cláudio Castro diz que confia no STF após prisão de Bacellar

Em nota, o chefe do Executivo fluminense afirma que acompanha o caso com "atenção institucional" e assegura que o governo estadual atendeu a todos os pedidos de esclarecimento da Suprema Corte.
Após prisão de Bacellar, Cláudio Castro reforça confiança no STF e na legalidade
Após prisão de Bacellar, Cláudio Castro reforça confiança no STF e na legalidade
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico

Jornalista do Diário Carioca.

O governador Cláudio Castro manifestou-se, nesta quinta-feira (4), sobre a prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar. Em nota oficial, o chefe do Executivo estadual afirmou acompanhar o episódio com “devida atenção institucional” e ressaltou a importância de garantir ao parlamentar o direito ao devido processo legal.

“Acompanho os fatos, ocorridos no dia de ontem, com a devida atenção institucional. Rodrigo Bacellar é chefe do Poder Legislativo do Rio de Janeiro e é necessário garantir o direito ao devido processo legal. Mantenho a confiança na condução técnica e imparcial do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal, responsáveis pela investigação”, diz a nota de Castro.

Acusações de vazamento e provas recuperadas

Bacellar, que comanda o Legislativo fluminense, foi detido na quarta-feira (3) em uma operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e conduzida pela Polícia Federal (PF). A ação mira o suposto vazamento de informações sigilosas sobre a Operação Zargun, deflagrada em setembro, quando o então deputado estadual TH Joias acabou detido.

De acordo com a PF, agentes públicos teriam antecipado detalhes internos da investigação. Isso, na avaliação dos investigadores, comprometeu o andamento da Zargun e atrapalhou diligências planejadas.

O ministro Alexandre de Moraes viu indícios de que o presidente da Alerj atuou para atrapalhar investigações sobre uma facção criminosa. A PF afirma que Bacellar teria alertado TH Joias sobre mandados na véspera da ação. Após receber o aviso, TH Joias retirou objetos da própria casa e organizou uma mudança para eliminar provas.

Em um diálogo recuperado no novo celular do colega, Bacellar aconselhou TH Joias a abandonar objetos, como um freezer, antes da polícia chegar: “Deixa isso, tá doido? Larga isso aí, seu doido”.

O diálogo, segundo a PF, indica que Bacellar atuou para alertar o colega e interferir na operação.

Relação em colapso com Cláudio Castro

A prisão de Bacellar ocorre em um momento de desgaste político com Cláudio Castro. O presidente da Alerj ampliou sua projeção ao assumir interinamente o governo em diversas ocasiões, uma articulação que tinha o aval de Castro.

No entanto, a sintonia ruiu quando Bacellar, no exercício interino, exonerou o secretário de Transportes Washington Reis. A decisão provocou reação dura de Castro, que ressaltou a falta de diálogo e de aprovação prévia de sua base política.

O governador reforçou o compromisso do Executivo com a Justiça: “Todos os esclarecimentos solicitados pelo STF ao Executivo já foram respondidos, reafirmando nosso compromisso com a legalidade, a transparência e o pleno funcionamento das instituições”.

Contexto da Operação Zargun e TH Joias

A ofensiva desta quarta-feira inclui um mandado de prisão preventiva contra Bacellar, além de oito mandados de busca e apreensão. A ação se insere no contexto da decisão do STF no âmbito da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas), que determinou à Polícia Federal a investigação de grupos criminosos violentos e suas conexões com agentes públicos no estado.

Em setembro, a PF e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) prenderam o então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias (MDB). Ele é investigado por tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e negociação de armas com o Comando Vermelho (CV).

Recomendadas