Rio de Vergonhas

Alerj revoga prisão de Rodrigo Bacellar em sessão extraordinária

No vexatório jogo político fluminense, prisão preventiva é grave — mas reversível quando os votos aparecem no painel.
Rodrigo Bacellar — Foto: Thiago Lontra/Alerj
Rodrigo Bacellar — Foto: Thiago Lontra/Alerj
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico

Jornalista do Diário Carioca.

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, em sessão extraordinária realizada nesta segunda-feira (8), a revogação da prisão preventiva do presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil). O projeto de resolução da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) foi aprovado por 42 votos favoráveis, 21 contrários e duas abstenções.

A detenção havia sido determinada no dia 3 de dezembro pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, no âmbito da Operação Unha e Carne. Pela manhã, a CCJ já havia dado sinal verde ao texto, com placar de 4 votos a 3, também em sessão extraordinária.

Placar e ausências
Além dos votos registrados, o plenário contou com três ausências e um deputado licenciado. O resultado consolidou o número mínimo necessário para derrubar a decisão judicial dentro do rito constitucional adotado pela Casa.

Leitura do parecer e articulação prévia
A sessão teve início com a leitura do parecer da Procuradoria da Alerj pelo presidente da CCJ e líder do governo, Rodrigo Amorim (União Brasil). Em seguida, o projeto de resolução foi formalmente submetido ao plenário.

Antes da votação, base governista e oposição firmaram um acordo para organizar os debates. Ficou definido que seis discursos seriam realizados, três a favor da manutenção da prisão e três pela revogação.

Discursos e posições
Pela oposição, se manifestaram Flávio Serafini, Carlos Minc e Élika Takimoto. Pela base, discursaram Alexandre Knoploch, Índia Armelau e Renan Jordy, todos do PL.

Ainda conforme anunciado na reunião da CCJ, o deputado Vitor Júnior (PDT) apresentou emenda para incluir no texto a deliberação sobre o afastamento de Bacellar da presidência da Alerj. A proposta foi indeferida durante a sessão.

Tumulto e intervenção
A votação foi marcada por momentos de tensão. Durante a chamada nominal, parlamentares da base acusaram o PSOL de romper o acordo de falas, após tentativa de pronunciamento da deputada Dani Monteiro. O bate-boca exigiu a intervenção de Rodrigo Amorim, que restabeleceu a ordem e deu prosseguimento à sessão.

Contexto da prisão
Rodrigo Bacellar foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro. A investigação levou à prisão do então deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, apurado por tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e suposta negociação de armas com o Comando Vermelho.

Painel eletrônico e divergência
Na votação final, o painel eletrônico registrou 41 votos favoráveis ao texto e 28 contrários, número diferente do placar consolidado em plenário, encerrando uma sessão marcada por disputas políticas e ruído institucional.

Recomendadas