O presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), assinou nesta quarta-feira, 10 de dezembro de 2025, pedido de licença do mandato de deputado estadual.
A solicitação, ainda pendente de publicação no Diário Oficial, prevê afastamento entre 10 e 19 de dezembro para tratar de assuntos particulares.
Segundo parlamentares, a iniciativa foi construída como saída intermediária diante de um cenário jurídico considerado de alto risco.
A estratégia busca evitar a renúncia imediata à presidência da Casa, hipótese que vinha sendo debatida nos bastidores.
Temor de reação do Supremo
Aliados relatam que Bacellar foi aconselhado a não renunciar neste momento. A avaliação é de que um gesto abrupto poderia provocar reação mais dura do ministro Alexandre de Moraes, relator da investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) que resultou na prisão do deputado na semana anterior.
Para o entorno político, uma saída repentina do comando da Alerj, especialmente articulada por acordos internos, poderia ser interpretada como tentativa de interferência no andamento do processo.
Renúncia perde força nos bastidores
Inicialmente, o grupo político de Bacellar defendia a renúncia como forma de preservar influência sobre a sucessão e manter a reorganização da Casa sob sua órbita. O plano, porém, perdeu tração à medida que aumentou o receio de novas medidas cautelares ou até de nova ordem de prisão.
Licença como solução provisória
Nos bastidores, a licença é tratada como alternativa temporária enquanto o ambiente jurídico permanece instável. Embora reduza o risco imediato de atrito com o STF, a medida não encerra a disputa pela sucessão na Alerj, que segue mobilizando diferentes blocos internos.
Deputados próximos ao presidente afastado avaliam que qualquer movimento fora do roteiro institucional pode ser interpretado como afronta direta à Corte. A licença, dizem, atua como freio emergencial, sem definir os rumos da liderança do Legislativo.

Indefinição mantém disputa aberta
A sucessão no comando da Assembleia permanece envolta em incertezas. Mesmo aliados históricos reconhecem que qualquer desfecho dependerá de movimentos cuidadosamente calibrados para evitar fricções com Alexandre de Moraes e com o próprio STF.
Enquanto o cenário jurídico não se estabiliza, a tendência é de continuidade da disputa interna, com grupos buscando ampliar espaço e influência sobre a transição no tabuleiro político da Alerj.
Prisão e suspeita de vazamento
Bacellar foi preso em 3 de dezembro pela Polícia Federal, por determinação de Alexandre de Moraes. Ele é suspeito de envolvimento no vazamento de informações sigilosas da ação que levou à prisão do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Jóias, em setembro.
De acordo com a PF, o vazamento teria provocado obstrução na investigação da Operação Zargunq, que apontou vínculos de TH Jóias com a facção Comando Vermelho. Trocas de mensagens entre Bacellar e TH foram anexadas ao inquérito e compõem o material que fundamentou a decisão do Supremo.

