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Imbatível

Lula lidera corrida eleitoral e direita segue afundando

A nova pesquisa que aponta vantagem de Lula em todos os cenários de 2026 não é fotografia do futuro, mas radiografia do presente: um país politicamente cansado, socialmente pressionado e sem alternativa competitiva fora do lulismo.

29 de janeiro de 2026

Pesquisa eleitoral não antecipa vitória; revela correlações de força. O levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado em janeiro de 2026, cumpre exatamente esse papel.

Ao mostrar Lula numericamente à frente de todos os adversários no primeiro e no segundo turnos, o estudo expõe menos a popularidade do presidente e mais a fragilidade estrutural do campo oposicionista.

Lula aparece com cerca de 40% das intenções de voto nos cenários de primeiro turno. Não é maioria absoluta. É hegemonia relativa. Um dado que fala alto num país fragmentado, onde a política se tornou uma disputa entre rejeições administráveis. O petista não avança porque convence todos; avança porque ninguém mais consegue ocupar o centro simbólico do poder.

Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Ratinho Junior, Caiado, Zema. Os nomes se repetem como se o tabuleiro estivesse preso a um repertório curto. Nenhum deles rompe o teto. Nenhum deles ameaça de fato o lulismo em seu habitat natural: o eleitor que busca previsibilidade mínima e memória de prosperidade passada.

O lulismo como porto seguro

O dado mais revelador da pesquisa não está nos percentuais, mas na estabilidade. Lula mantém vantagem mesmo após dois anos de governo marcados por contenção fiscal, ruído institucional e frustração de expectativas em setores populares. Ainda assim, lidera.

Isso acontece porque o lulismo deixou de ser apenas um projeto político. Tornou-se um ativo psicológico. Em tempos de incerteza global, inflação resiliente e precarização do trabalho, Lula funciona como memória organizada: um passado que promete ordem, ainda que não entregue ruptura.

A elite econômica tolera. O mercado negocia. O andar de baixo lembra. Essa combinação sustenta o presidente em patamares que seus adversários não conseguem alcançar, presos entre o radicalismo retórico e a incapacidade de formular um projeto nacional.

Empates técnicos que não empatam

No segundo turno, a pesquisa aponta empates técnicos. A expressão é estatística, não política. Lula aparece numericamente à frente em todos os cenários. Empate técnico, nesse caso, significa apenas que a oposição não colapsou — não que tenha se fortalecido.

Contra Flávio Bolsonaro, Tarcísio ou Ratinho Junior, o presidente mantém vantagem simbólica. O eleitor indeciso, que cresce nesses cenários, não migra automaticamente para a oposição. Ele paira. Espera. Observa. E, historicamente, decide pelo conhecido quando o desconhecido não inspira confiança.

O bolsonarismo, agora fragmentado, paga o preço de sua própria herança. Produziu rejeição suficiente para impedir a transferência automática de votos. Já o antipetismo, embora vivo, perdeu centralidade emocional. Ele não mobiliza como antes. Apenas resmunga.

Classe política sem imaginação

O cenário revelado pela pesquisa é cruel com a classe política brasileira. Depois de décadas de alternância limitada, o país volta a depender do mesmo personagem para organizar o jogo. Não por genialidade, mas por falta de opções.

Governadores competitivos não ultrapassam seus redutos. Senadores não constroem densidade nacional. Outsiders evaporam antes de ganhar forma. O resultado é um sistema que respira aliviado ao ver Lula na frente: ele garante previsibilidade, mesmo que sacrifique transformação.

Para o eleitor comum, isso se traduz em uma escolha defensiva. Vota-se menos pelo futuro e mais contra o risco. A política vira seguro, não aposta.

O que a pesquisa realmente diz

A pesquisa não afirma que Lula vencerá 2026. Afirma que, hoje, ninguém o derrota. É uma diferença decisiva. Campanhas mudam, crises surgem, fatos inesperados intervêm. Mas o ponto de partida é claro: o presidente começa a corrida com vantagem estrutural.

Essa vantagem não nasce do entusiasmo popular, mas do vácuo oposicionista. O lulismo governa porque o sistema ainda não produziu algo melhor — ou diferente o suficiente.

Enquanto isso, o país segue administrando expectativas. Lula lidera. O mercado acompanha. A oposição improvisa. E o eleitor, mais uma vez, prepara-se para escolher o caminho menos instável, não o mais promissor.

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