
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou em 29 de janeiro de 2026, em entrevista ao programa Estúdio I, da GloboNews, que não há impedimento para o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mesmo com o partido mantendo três governadores como pré-candidatos à Presidência da República.
A autorização explícita e o recado político
Ao tratar o apoio de Eduardo Paes a Lula como algo plenamente permitido, Kassab não apenas esclarece um ponto jurídico, mas estabelece uma diretriz política. O PSD, segundo ele, não pretende impor restrições formais a seus quadros em disputas locais, ainda que isso cruze interesses nacionais da legenda. A mensagem é direta: alianças territoriais prevalecem sobre alinhamentos partidários rígidos.
Perspectivas Editoriais
A legalidade como argumento central
Kassab fundamentou sua posição na legislação eleitoral. “A lei permite”, afirmou, afastando qualquer leitura de irregularidade, irresponsabilidade ou desvio ético. O recurso ao argumento legal funciona como blindagem política: se a norma autoriza, a discussão sobre fidelidade partidária perde força institucional e passa a ser tratada como questão de conveniência estratégica, não de princípio.
Três pré-candidatos, nenhuma amarra
O PSD abriga três governadores apontados como pré-candidatos ao Planalto — Eduardo Leite, Ratinho Júnior e Ronaldo Caiado. Em tese, esse quadro exigiria disciplina interna e construção de um palanque nacional unificado. Na prática, Kassab deixa claro que essas pré-candidaturas não impõem veto automático a alianças externas, sobretudo quando envolvem lideranças com forte capital eleitoral.
Eduardo Paes como eixo do palanque fluminense
Ao comentar a possibilidade de conflitos internos, Kassab inverteu a lógica tradicional. Segundo ele, não é Eduardo Paes quem busca apoio de presidenciáveis; são os presidenciáveis que buscam o prefeito. A avaliação positiva da gestão municipal transforma Paes em polo de atração política no Rio de Janeiro, condição que lhe confere autonomia incomum dentro da estrutura partidária.
A relativização da infidelidade partidária
Questionado pelo jornalista Otávio Guedes sobre eventual tolerância à infidelidade partidária, Kassab evitou o termo e reposicionou o debate. Para ele, a dinâmica eleitoral atual faz com que “todos queiram estar no palanque do Eduardo”. A frase não nega a existência de um candidato do PSD, mas reduz sua centralidade prática diante da força eleitoral local do prefeito carioca.
O lugar do candidato do PSD
Ao afirmar que “inclusive o nosso candidato” estará com Eduardo Paes, Kassab sinaliza que a candidatura presidencial da legenda não se impõe automaticamente aos seus principais quadros regionais. Trata-se de uma hierarquia informal: o peso eleitoral concreto supera a precedência formal da candidatura nacional. É um recado interno claro aos governadores presidenciáveis.
Pragmatismo como identidade partidária
O episódio reforça a identidade do PSD como partido de articulação, não de programa fechado. Kassab assume publicamente um modelo em que a flexibilidade é virtude e a coerência ideológica, secundária. Em 2026, a legenda parece menos interessada em afirmar um projeto presidencial próprio e mais focada em maximizar influência a partir de seus ativos regionais mais fortes.





