Fascismo Imperialista

Após sequestro de Maduro, Rússia condena ofensiva covarde dos EUA

Moscou classifica ação americana como agressão armada e defende saída diplomática para evitar crise de alcance global.
Foto de KLYONA
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Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Quando a diplomacia russa abandona os eufemismos, o subtexto costuma ser sério. Foi nesse tom que Moscou reagiu ao ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela, classificando a operação como um ato de agressão armada e alertando para o risco de uma escalada que ultrapasse as fronteiras latino-americanas.

A palavra-chave do comunicado foi uma velha conhecida dos comunicados de crise: diálogo — geralmente invocada quando os canhões já foram disparados.

Moscou entra em cena

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou estar “profundamente preocupado” com a ofensiva americana e defendeu a busca urgente de uma solução diplomática. O gesto não surpreende. Uma semana antes do ataque, o Kremlin havia confirmado uma conversa telefônica entre Vladimir Putin e Nicolás Maduro, na qual o líder russo reiterou apoio político ao governo venezuelano diante do aumento das tensões com Washington.

O alerta russo vinha sendo preparado. Em dezembro, a chancelaria já havia advertido que a crise venezuelana poderia produzir “consequências imprevisíveis para todo o Ocidente”, uma formulação clássica do vocabulário estratégico de Moscou quando percebe risco sistêmico no tabuleiro internacional.

“Quando as grandes potências falam em diálogo após o ataque, é porque o mundo já entrou na zona de risco.”

A lógica da Guerra Fria reaparece

A reação russa ecoa um padrão histórico. Da Crise dos Mísseis de 1962 às intervenções por procuração do século XX, Moscou sempre respondeu a avanços militares americanos em áreas consideradas sensíveis com a mesma combinação de condenação pública e cautela calculada. O objetivo raramente é a defesa moral do aliado; é a preservação do equilíbrio estratégico.

A Venezuela, nesse contexto, funciona menos como causa e mais como palco. A captura anunciada de Maduro e sua retirada do país por forças estrangeiras reacendem um imaginário que parecia adormecido desde o fim da Guerra Fria: o de um mundo em que soberanias periféricas são negociadas entre potências.

O silêncio que pesa

Enquanto Trump promete detalhar a operação em coletiva, Caracas afirma não saber o paradeiro de seu presidente e exige prova de vida. O vazio de informações amplia a tensão e dá combustível às reações internacionais. Para Moscou, cada hora sem esclarecimentos aumenta o risco de erros de cálculo — o tipo de erro que, na história recente, raramente ficou restrito a um único território.

A posição russa não encerra o debate; ela o eleva de patamar. Ao condenar a ofensiva e pedir diálogo, o Kremlin sinaliza que a crise venezuelana deixou de ser apenas um assunto regional. Passou a integrar o repertório dos conflitos capazes de testar, mais uma vez, os limites da ordem internacional.

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