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Donald Trump relativiza o narcotráfico e defende indulto a aliado hondurenho

Por JR Vital Analista Geopolítico

Donald Trump voltou a tratar a Justiça como extensão de suas alianças políticas. Questionado sobre a diferença entre Nicolás Maduro e Juan Orlando Hernández, o ex-presidente dos Estados Unidos preferiu não falar de provas, sentenças ou tribunais.

Falou de lealdade. Para ele, o ex-presidente de Honduras — condenado em 2024 a 45 anos de prisão e multado em US$ 8 milhões por envolvimento direto com o narcotráfico — foi apenas “muito injustiçado”.

A declaração, feita diante de jornalistas, revela mais do que uma opinião pessoal: escancara a lógica seletiva que orienta parte da política externa trumpista. Hernández, aliado fiel de Washington durante seu mandato, merece indulto. Maduro, adversário geopolítico, merece sequestro, acusação exemplar e espetáculo judicial.

Dos julgamentos de exceção ao perdão dos amigos

Na Roma Antiga, a clemência era prerrogativa do imperador, não da lei. Trump parece confortável nesse papel. Ao justificar o indulto, afirmou ter apoiado Hernández “como apoiou outros líderes” da região e insistiu que o hondurenho foi perseguido por ter vencido eleições e pertencer ao partido do sucessor. O crime, nesse raciocínio, torna-se secundário; o alinhamento político, central.

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“Quando o aliado erra, é perseguido; quando o inimigo erra, é criminoso.”

A retórica do ressentimento

Trump repetiu que “sentia firmemente” que Hernández foi tratado “muito mal”. Não mencionou as toneladas de cocaína, os testemunhos, nem a sentença confirmada pela Justiça norte-americana. A narrativa é a do ressentimento contra instituições que ousam julgar figuras próximas. É a mesma retórica usada para si próprio, agora exportada para a América Latina.

Comparação reveladora

Ao colocar Hernández e Maduro na mesma frase, Trump não iguala situações jurídicas — ele as embaralha. Um foi condenado após julgamento; o outro é alvo de acusações em disputa internacional. A comparação serve menos para esclarecer e mais para justificar escolhas políticas: punir inimigos, absolver aliados.

O custo regional

Para a América Latina, o recado é claro e antigo: não importa o tamanho do crime, mas o lado escolhido. A prática não é nova — remonta à Guerra Fria e às ditaduras “amigas” —, mas reaparece com verniz contemporâneo. A diferença é que agora o próprio ex-presidente dos EUA verbaliza o critério sem constrangimento.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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