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Trump recua no tom e liga para Petro após ameaçar a Colômbia

Por JR Vital Analista Geopolítico

Donald Trump descobriu, mais uma vez, que palavras também produzem efeitos colaterais. Depois de insinuar que uma operação militar contra a Colômbia “soava bem”, o presidente dos Estados Unidos recuou no discurso e telefonou para Gustavo Petro, tentando recompor uma relação que havia sido empurrada à beira do colapso diplomático.

A ligação, anunciada como cordial, ocorre quando o estrago já estava feito: nas ruas colombianas, milhares responderam não ao telefonema, mas à ameaça.


Da Doutrina Monroe ao século XXI nervoso

Desde o século XIX, Washington se acostumou a tratar a América Latina como quintal estratégico, da Doutrina Monroe às intervenções da Guerra Fria. Trump atualiza essa tradição com o vocabulário do reality show político: provoca, ameaça, testa limites. Petro, primeiro presidente de esquerda da Colômbia, escolheu responder evocando soberania e mobilização popular — uma resposta mais próxima dos ventos bolivarianos do que da diplomacia silenciosa.

É o velho choque entre império e periferia, agora transmitido em tempo real.

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“Quando um presidente estrangeiro ameaça e depois liga pedindo diálogo, não é conciliação — é contenção de danos.”


A escalada verbal que incendiou Bogotá

A crise começou quando Trump acusou Petro de tolerar o narcotráfico e descreveu a Colômbia como governada por “um homem doente”. Questionado sobre uma ação militar, respondeu com despreocupação: “soa bem para mim”. A fala atravessou fronteiras como um estopim.

Petro reagiu chamando o líder americano de “senil” e afirmou que acusações de narcoterrorismo são usadas historicamente pelos EUA contra governos que resistem à exploração de recursos naturais. Em seguida, apoiou manifestações populares contra o que classificou como ameaça ilegítima.


Ruas falam mais alto que chancelerias

Inspirados pelo discurso presidencial, protestos tomaram cidades colombianas. Bandeiras, cartazes e palavras de ordem deixaram claro que a retórica trumpista não era vista como bravata distante, mas como risco concreto à soberania nacional.

Esse elemento popular muda o tabuleiro: não se trata apenas de uma crise entre governos, mas de um conflito simbólico entre projeto imperial e autodeterminação latino-americana.


O telefonema e o recuo calculado

Na ligação, Trump afirmou que discutiram divergências e a “situação das drogas” e disse esperar encontrar Petro em breve, possivelmente na Casa Branca. O gesto sinaliza tentativa de esfriar ânimos, não uma revisão de princípios.

Para a América Latina, a mensagem é clara: o diálogo existe, mas nasce da pressão — diplomática e popular.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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