O Fatos
Presidente francês lidera dissidência europeia e promete voto contrário em reunião decisiva; o sonho da maior área de livre comércio do mundo esbarra no egoísmo agrário da França.
- O presidente Emmanuel Macron confirmou que a França votará contra o acordo entre União Europeia e Mercosul nesta sexta-feira (9), durante a reunião de embaixadores do bloco.
- A resistência francesa é acompanhada por Irlanda, Hungria e Polônia, que alegam riscos à segurança alimentar e concorrência “desleal” com os padrões ambientais latino-americanos.
- Do outro lado, o eixo Alemanha-Espanha corre contra o tempo para tentar viabilizar a assinatura do pacto na próxima segunda-feira (12), visando reduzir a dependência comercial da China.
Emmanuel Macron, o autoproclamado campeão do liberalismo progressista, decidiu vestir a armadura do protecionismo medieval. Ao anunciar o veto ao acordo UE-Mercosul, o Eliseu não está preocupado com a Amazônia ou com o clima, mas com os tratores que sitiam Paris e o lobby dos agricultores franceses, que veem na eficiência do agronegócio sul-americano um fantasma insuportável. É a clássica hipocrisia europeia: pregam o livre mercado e a globalização, mas erguem barricadas tarifárias quando o bife alheio é mais competitivo que o deles. O paralelo histórico é com as Guerras Comerciais do século XIX; Macron comporta-se como um monarca que prefere o isolamento econômico do continente a permitir que a “periferia” do mundo tenha acesso aos seus mercados de luxo e tecnologia.
A França de Macron trata o livre comércio como um banquete onde só os europeus podem sentar à mesa. Quando o Mercosul traz o prato principal, Paris fecha a cozinha e chama a polícia aduaneira.
Por que a França se tornou o maior obstáculo para a integração econômica global? A França utiliza a pauta ambiental como um biombo ético para esconder um protecionismo econômico arcaico. Sob o argumento de que os produtos do Mercosul não seguem os rígidos padrões da UE, Macron tenta garantir subsídios e preços inflacionados para os produtores locais. Esse movimento ignora que o acordo prevê salvaguardas e compromissos climáticos inéditos. O verdadeiro medo francês não é o desmatamento, mas a soja e a carne brasileira que, por serem mais baratas e produtivas, expõem a obsolescência de certos setores agrários europeus que sobrevivem apenas graças às muletas do Estado.
Quais as consequências geopolíticas do fracasso deste acordo para o Brasil e o Mercosul? O fracasso do acordo, empurrado pelo egoísmo francês, empurra o Mercosul ainda mais para os braços da China e de novos blocos asiáticos. Enquanto a Alemanha e a Espanha enxergam a necessidade de diversificar parceiros para mitigar o isolacionismo americano, Macron prefere uma Europa nanica e voltada para o próprio umbigo. Para o Brasil, é o momento de reafirmar nossa soberania e buscar novos horizontes; se a “Cidade Luz” prefere as sombras do protecionismo, o Sul Global encontrará seu caminho sem pedir licença aos herdeiros de Bonaparte. A democracia e a equidade internacional exigem que os mercados não sejam feudos de uma elite europeia temerosa.
Expediente: 08/01/2026 – 20:30 | Edição: JR Vital (MTB 0037673/RJ). Siga o Diário Carioca: Instagram | X (Twitter) | Facebook.





