quarta-feira, janeiro 21, 2026
22 C
Rio de Janeiro
InícioMundoA Muralha de Versalhes: Macron veta acordo UE-Mercosul para blindar ruralistas
Protecionismo À la carte

A Muralha de Versalhes: Macron veta acordo UE-Mercosul para blindar ruralistas

Por JR Vital Analista Geopolítico

O Fatos

Presidente francês lidera dissidência europeia e promete voto contrário em reunião decisiva; o sonho da maior área de livre comércio do mundo esbarra no egoísmo agrário da França.

  • O presidente Emmanuel Macron confirmou que a França votará contra o acordo entre União Europeia e Mercosul nesta sexta-feira (9), durante a reunião de embaixadores do bloco.
  • A resistência francesa é acompanhada por Irlanda, Hungria e Polônia, que alegam riscos à segurança alimentar e concorrência “desleal” com os padrões ambientais latino-americanos.
  • Do outro lado, o eixo Alemanha-Espanha corre contra o tempo para tentar viabilizar a assinatura do pacto na próxima segunda-feira (12), visando reduzir a dependência comercial da China.

Emmanuel Macron, o autoproclamado campeão do liberalismo progressista, decidiu vestir a armadura do protecionismo medieval. Ao anunciar o veto ao acordo UE-Mercosul, o Eliseu não está preocupado com a Amazônia ou com o clima, mas com os tratores que sitiam Paris e o lobby dos agricultores franceses, que veem na eficiência do agronegócio sul-americano um fantasma insuportável. É a clássica hipocrisia europeia: pregam o livre mercado e a globalização, mas erguem barricadas tarifárias quando o bife alheio é mais competitivo que o deles. O paralelo histórico é com as Guerras Comerciais do século XIX; Macron comporta-se como um monarca que prefere o isolamento econômico do continente a permitir que a “periferia” do mundo tenha acesso aos seus mercados de luxo e tecnologia.

A França de Macron trata o livre comércio como um banquete onde só os europeus podem sentar à mesa. Quando o Mercosul traz o prato principal, Paris fecha a cozinha e chama a polícia aduaneira.

Por que a França se tornou o maior obstáculo para a integração econômica global? A França utiliza a pauta ambiental como um biombo ético para esconder um protecionismo econômico arcaico. Sob o argumento de que os produtos do Mercosul não seguem os rígidos padrões da UE, Macron tenta garantir subsídios e preços inflacionados para os produtores locais. Esse movimento ignora que o acordo prevê salvaguardas e compromissos climáticos inéditos. O verdadeiro medo francês não é o desmatamento, mas a soja e a carne brasileira que, por serem mais baratas e produtivas, expõem a obsolescência de certos setores agrários europeus que sobrevivem apenas graças às muletas do Estado.

- Advertisement -

Quais as consequências geopolíticas do fracasso deste acordo para o Brasil e o Mercosul? O fracasso do acordo, empurrado pelo egoísmo francês, empurra o Mercosul ainda mais para os braços da China e de novos blocos asiáticos. Enquanto a Alemanha e a Espanha enxergam a necessidade de diversificar parceiros para mitigar o isolacionismo americano, Macron prefere uma Europa nanica e voltada para o próprio umbigo. Para o Brasil, é o momento de reafirmar nossa soberania e buscar novos horizontes; se a “Cidade Luz” prefere as sombras do protecionismo, o Sul Global encontrará seu caminho sem pedir licença aos herdeiros de Bonaparte. A democracia e a equidade internacional exigem que os mercados não sejam feudos de uma elite europeia temerosa.

Expediente: 08/01/2026 – 20:30 | Edição: JR Vital (MTB 0037673/RJ). Siga o Diário Carioca: Instagram | X (Twitter) | Facebook.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

Parimatch_Cassino_onlineParimatch_Cassino_onlineParimatch_Cassino_onlineParimatch_Cassino_online

Mais Notícias

Em Alta:

Mais Lidas