OS FATOS
- O embaixador chinês na ONU, Fu Cong, condenou a operação militar dos EUA na Venezuela e exigiu a soltura de Nicolás Maduro e Cilia Flores.
- Pequim classificou a detenção de um chefe de Estado em exercício como uma ruptura grave do direito internacional e um precedente perigoso para o Sul Global.
- Dados revelados no debate apontam que sanções americanas drenaram US$ 226 bilhões da economia venezuelana, valor que dobra o PIB do país.
A ordem internacional, tal como desenhada em 1945, agoniza sob o peso das botas americanas em solo venezuelano. Ao denunciar o “sequestro” de um presidente soberano, a China não apenas defende um aliado, mas expõe a metástase de um sistema onde Washington se pretende juiz, júri e carrasco global. Como na melancólica análise de Tucídides sobre o poder dos fortes contra os fracos, os EUA tentam impor pela força o que a diplomacia e as sanções ilegais não conseguiram dobrar. A intervenção militar de 3 de janeiro não é apenas um ataque a Caracas; é um atentado contra a própria ideia de soberania nacional.
“A paz mundial não pode ser o subproduto da vontade de um Estado que se ergue como polícia do mundo enquanto pisoteia a Carta da ONU.”
Por que a China considera a detenção de Maduro um “precedente catastrófico”?
Para Pequim, a ação dos EUA é uma “ruptura flagrante” das normas de civilidade entre as nações. O embaixador Fu Cong foi enfático: deter um chefe de Estado e sua esposa sob o pretexto de “governar o país” é um ato de hostigamento que ignora a Convenção de Haia e a própria dignidade humana. Ao exigir a libertação de Maduro, a China alerta que, se o mundo aceitar o sequestro de líderes eleitos por forças estrangeiras, nenhum país do Sul Global estará seguro. O direito à autodeterminação, pilar do Direito Internacional, torna-se letra morta diante da conveniência militar do Pentágono.
Qual a estratégia chinesa para conter a escalada militar na América Latina?
A proposta chinesa é um chamado ao multilateralismo de resistência. Enquanto Marco Rubio desenha planos de “tutela”, Pequim oferece colaboração para reforçar a solidariedade regional e a justiça internacional. A China recorda os fiascos sangrentos no Iraque e na Líbia para avisar: soluções militares não resolvem crises, apenas as aprofundam em abismos humanitários.
Para o Diário Carioca, a postura chinesa é o contraponto necessário ao imperialismo de Donald Trump; é a lembrança de que a estabilidade do Caribe não pode ser sacrificada no altar do excepcionalismo americano.
Expediente: 8 de janeiro de 2026, 17:35 | Edição: JR Vital (MTB 0037673/RJ). Siga o Diário Carioca: Instagram | X (Twitter) | Facebook.
Com informações do Brasil de Fato





