Rússia, através do Ministério das Relações Exteriores, colocou nesta terça-feira (13) um sinal de alerta diplomático contra os Estados Unidos afirmando que as ameaças de ataques militares contra o Irã são “categoricamente inaceitáveis” e podem gerar consequências desastrosas para a segurança regional e mundial.
A posição foi expressa pela porta-voz Maria Zakharova, que também condenou o que descreveu como “interferência externa subversiva” nos processos políticos internos iranianos em meio a protestos socioeconômicos que se intensificam no país desde dezembro de 2025.
Moscou advertiu que qualquer uso de desordem interna no Irã como pretexto para uma repetição de ataques — em referência às ofensivas dos EUA e aliados em 2025 — traria repercussões severas tanto na estabilidade do Oriente Médio quanto na segurança internacional.
A navalha geopolítica
A declaração russa acende não apenas um foco de atrito com Washington, mas reveste o tabuleiro diplomático de uma lógica de contrapesos mais rígida: enquanto os EUA reinvestem na retórica militar contra Teerã, a Rússia arma seu discurso com a retórica de soberania e legalidade, evocando riscos de escalada que vão além de meros choques regionais rumo a uma reconfiguração dos alinhamentos estratégicos.
Como se fosse um espelho invertido da retórica norte-americana, Moscou recicla a acusação de “interferência externa” — termo que nos últimos anos também foi aplicado internamente por potências globais frente a protestos sociais em diversas nações — e a transforma em emblema de resistência soberana. Isso não é apenas protesto diplomático: é um cálculo político projetado para mobilizar aliados globais e questionar a legitimidade de qualquer ação punitiva unilateral que Washington considere.
Historicamente, grandes potências que resistem a tentativas de contenção externa tendem a amplificar sua influência quando conseguem costurar narrativas que unem legalidade internacional e ameaça externa percebida. A Rússia busca exatamente isso: reposicionar-se não como mero antagonista dos EUA, mas como guardião de uma ordem internacional que — em sua leitura — teria sido fragilizada pela hegemonia ocidental.
Escalada de alertas e declarações entre EUA e Rússia
| Ato | Atores | Mensagem chave |
|---|---|---|
| Junho 2025 | EUA atacam instalações nucleares iranianas | Escalada militar direta com justificativa de segurança. |
| Junho 2025 | Rússia condena ataque e oferece apoio diplomático ao Irã | Considera ação “agressão não provocada”. |
| Janeiro 2026 | Rússia critica ameaças de novos ataques dos EUA | “Inaceitáveis”, potencial desastre global. |
| Janeiro 2026 | Rússia condena “interferência subversiva” | Interpreta protestos internos como pretexto externo. |





