Donald Trump, o autoproclamado gênio da negociação, acaba de realizar uma proeza que nem o mais otimista diplomata chinês ousaria sonhar: ele implodiu a unidade da América do Norte.
Ao tentar impor uma versão anabolizada da “Doutrina Monroe” — aquela velha máxima de que as Américas são o quintal de Washington —, Trump empurrou o Canadá diretamente para o colo de Xi Jinping.
Nesta sexta-feira (16), o primeiro-ministro Mark Carney foi recebido em Pequim com tapete vermelho e promessas de uma “parceria estratégica histórica”.
Para um país que, há poucos anos, sequestrava a executiva da Huawei (Meng Wanzhou) apenas para agradar aos caprichos americanos, a guinada não é apenas uma mudança de rota; é um atestado de óbito da hegemonia ianque sobre seus vizinhos imediatos.
O cenário é de um deboche geopolítico sem precedentes. Enquanto Trump vocifera ameaças de anexação e tarifas punitivas, Carney fala em Pequim sobre cooperação em energia, finanças e, pasmem, segurança.
O Canadá percebeu que a maior ameaça à sua soberania não vem do Mar da China Meridional, mas da Casa Branca.

A arrogância imperialista de Trump, que trata aliados como vassalos e fronteiras como sugestões, quebrou a espinha dorsal da solidariedade anglo-saxã.
Ao gritar “América Primeiro”, Trump esqueceu que, se você chuta o cachorro de guarda da sua casa, ele pode muito bem decidir latir para o novo dono do quarteirão.
A Doutrina Monroe virou uma ferramenta de isolamento para os próprios Estados Unidos?
Será que os estrategistas de Washington previram que a agressividade de Trump criaria um vácuo de poder preenchido pela seda chinesa bem na fronteira norte? O “efeito bumerangue” da política externa republicana é absoluto.
O Canadá, que era o baluarte da contenção contra Pequim, agora busca diversificar sua economia para sobreviver ao caos protecionista de Trump.
A China, com a paciência milenar de quem observa o adversário se autoimolar, só precisou abrir a porta.
A Doutrina Monroe, criada para manter potências estrangeiras longe das Américas, está sendo usada por Trump para expulsar os americanos da própria vizinhança.
O Divórcio Norte-Americano: Do Alinhamento à Ruptura
| Período / Episódio | Relação Canadá-EUA | Relação Canadá-China | O Veredito do Diário |
| Era Meng Wanzhou (2018) | Fidelidade canina a Washington. | Tensão máxima e retaliação. | O Canadá servia de escudo para os EUA. |
| Ameaças de Anexação (2025/26) | Trump trata o Canadá como província. | Início da reaproximação comercial. | A soberania canadense entrou em xeque. |
| Cúpula Carney-Xi (Hoje) | Crise diplomática e tarifas. | Parceria Estratégica em Segurança. | O Canadá trocou o “quintal” pela Rota da Seda. |
| Doutrina Monroe 2.0 | Tentativa de controle total americano. | Entrada chinesa no mercado canadense. | Trump abriu a porta que queria trancar. |
Donald Trump está desmontando o império peça por peça, acreditando que está fortalecendo a base.
Ao alienar o Canadá, ele perde o acesso privilegiado a recursos naturais e a uma barreira de segurança vital. Mark Carney, um economista que entende de fluxos de capital melhor do que Trump entende de muros, sabe que o futuro não reside em uma parceria com um vizinho instável e autoritário, mas na diversificação com a potência que oferece pragmatismo em vez de ameaças de invasão. Trump queria as Américas para si; acabou entregando o Canadá para Xi Jinping de bandeja.





