Luz mais cara? Governo Lula ameaça ir ao STF para barrar lobby no setor elétrico

Palácio do Planalto discute medida provisória e admite acionar o STF para anular decisão do Congresso que pode elevar conta de luz em até 3,5%.
Lula - Foto: Ricardo Stuckert
Lula - Foto: Ricardo Stuckert
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Brasília, 20 de junho de 2025 — O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em estado de alerta após a derrubada de vetos presidenciais que blindavam os consumidores de um novo golpe na conta de luz. Diante da pressão do Congresso para beneficiar setores específicos do mercado energético, o Palácio do Planalto negocia uma medida provisória (MP) para neutralizar os efeitos da decisão e não descarta acionar o Supremo Tribunal Federal (STF).

A crise gira em torno do projeto de regulamentação da energia eólica offshore. O texto original visava destravar investimentos na geração de energia limpa no alto-mar, mas foi capturado por emendas — conhecidas como “jabutis” — inseridas por parlamentares para atender interesses privados, sem qualquer relação com o tema central.

Conta de luz pode subir até 3,5%

Com a derrubada dos vetos, cálculos do próprio governo apontam que o impacto na tarifa de energia pode chegar a R$ 525 bilhões até 2050, onerando consumidores residenciais e empresas. Entidades do setor estimam alta de até 3,5% na conta de luz, o que recairia diretamente sobre milhões de famílias brasileiras.

Lobby atropela interesse público

Na votação, deputados e senadores ignoraram alertas técnicos e priorizaram pautas que favorecem grupos econômicos específicos. Entre os dispositivos reinseridos estão:

  • Contratação compulsória de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs);
  • Benefícios exclusivos para usinas eólicas no Rio Grande do Sul;
  • Relicitação de termelétricas, mesmo mais caras e poluentes;
  • Prorrogação de contratos do Proinfra, com custos bilionários.

O movimento escancarou a força do lobby energético no Congresso, que se sobrepôs aos interesses do conjunto da sociedade.

Governo tenta reação rápida

O Palácio do Planalto iniciou negociações com o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, para construir uma saída política via medida provisória. A ideia é limitar os efeitos da derrubada dos vetos, preservando apenas contratos vinculados ao Proinfra e às PCHs, o que poderia evitar um impacto estimado em até R$ 200 bilhões nos próximos 15 anos.

Se não houver acordo, o governo estuda uma ofensiva jurídica no STF, alegando que as emendas aprovadas desrespeitam princípios constitucionais, como o interesse público, a razoabilidade e a proteção dos consumidores.

Crise interna e alerta ao Congresso

A situação também reacendeu tensões dentro da própria Esplanada. A proposta da MP vinha sendo defendida há semanas pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, mas enfrentou resistência da articulação política.

A avaliação nos bastidores do governo é que o Congresso cedeu descaradamente à pressão de grupos empresariais, ignorando os impactos sociais e econômicos da medida. A mensagem enviada ao Legislativo é clara: se não houver recuo, o STF será acionado.


O Carioca Esclarece

“Jabutis” legislativos são trechos inseridos em projetos de lei sem relação com o tema original, usados para aprovar medidas que dificilmente passariam isoladamente.


FAQ

Por que o governo pode acionar o STF?
Porque entende que a decisão do Congresso fere princípios constitucionais, impondo custos desproporcionais aos consumidores para beneficiar grupos econômicos específicos.

Quanto a conta de luz pode aumentar?
Até 3,5%, o que representa um custo total de até R$ 525 bilhões até 2050, segundo estimativas do governo.

O que são os “jabutis” no setor elétrico?
São emendas colocadas no projeto que obrigam a contratação de fontes específicas de energia, independentemente do custo ou necessidade, favorecendo empresários do setor.

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