Em prisão domiciliar desde 4 de agosto, o ex-presidente Jair Bolsonaro chorou ao receber a visita do vice-prefeito de São Paulo, coronel Ricardo Mello Araújo (PL). Durante quatro horas de conversa, Bolsonaro relembrou sua trajetória, do Exército ao Palácio do Planalto, e desabafou sobre o futuro. “Estou com 70 anos, a minha vida já acabou”, afirmou, emocionado.
Visita para animar Bolsonaro
Segundo Mello Araújo, a visita teve como objetivo encorajar o ex-presidente. O aliado relembrou episódios de “superação”, como a facada de 2018 e um acidente em salto de paraquedas, para convencer Bolsonaro de que a prisão seria apenas “mais uma batalha”.
“Cheguei, abracei. Sentamos e ficamos das 14h às 18h conversando. Ele começou a contar a história da vida dele: do Exército até a presidência. E eu jogando ele para cima. Disse que [a prisão domiciliar] é mais uma que ele vai superar”, declarou o coronel à coluna de Paulo Cappeli, no Metrópoles.
Entre a fé e a política
Apesar da tentativa de animar o ex-presidente, Bolsonaro se mostrou abatido com a possibilidade de condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O vice-prefeito relatou que chegou a dizer que a trajetória de Bolsonaro teria “final de filme de Hollywood” e que “Deus vai intervir”.
A estratégia, segundo Araújo, foi mostrar que a prisão domiciliar poderia ser encarada como oportunidade para recuperar a saúde e refletir sobre o futuro político.
Saúde fragilizada e perda de peso
De acordo com o aliado, Bolsonaro perdeu três quilos desde o início do cumprimento da medida e evita exercícios físicos. “Montei um treino para ele fazer em casa, na esteira, mas ele disse que não dava, que faria depois”, relatou o coronel.
Isolado, o ex-presidente se mostra triste e pouco fala sobre eventual candidatura em 2026. O foco, segundo Araújo, é o julgamento no STF, previsto para começar em 2 de setembro.
Reflexo do enfraquecimento político
A cena de Bolsonaro às lágrimas revela não apenas sua fragilidade pessoal, mas também a crise que atinge o núcleo duro do bolsonarismo. Diante do processo no STF e da perda de apoio popular, a narrativa de “guerreiro incansável” se enfraquece, enquanto aliados tentam manter viva a ideia de um retorno político.

