Devastação

Senado vai votar vetos ao projeto do licenciamento ambiental na quinta-feira

A votação ocorre em momento crítico, às vésperas da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30)
Senado vota vetos ao licenciamento ambiental antes da COP30
Senado vota vetos ao licenciamento ambiental antes da COP30 - Foto: Agência Senado
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O presidente do Senado Federal e do Congresso NacionalDavi Alcolumbre (União-AP), confirmou que os parlamentares votarão na quinta-feira (16) os vetos ao projeto de licenciamento ambiental sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A votação ocorre em momento crítico, às vésperas da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro no Pará.

O governo tenta evitar que a legislação seja enfraquecida, especialmente em relação à simplificação da licença por autodeclaração, realizada pela internet para empreendimentos de médio potencial poluidor, como barragens de rejeitos. Quando o presidente veta artigos aprovados pelo Congresso, cabe ao parlamento a palavra final e o poder de reverter a decisão presidencial, restaurando os trechos vetados na lei.

Pressão e negociação no Congresso

Na última segunda (13), a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), conversou com Alcolumbre para tentar evitar retrocessos na lei. Segundo o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), a ministra destacou que seria “preocupante” para o Brasil, que sediará a COP30, vetar partes da legislação ambiental às vésperas do evento.

“Não seria confortável o Brasil ser sede da conferência do clima e termos a apreciação de vetos que comprometessem a legislação ambiental”, afirmou Randolfe.

A sessão de votação também deve analisar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que pode ficar para depois a pedido do governo. Contudo, o licenciamento ambiental será deliberado independentemente.

Vetos e resistência

O líder Randolfe indicou que a votação dos vetos será realizada mesmo que os acordos em negociação não se confirmem. A ideia é que ao menos 15 dos 63 vetos do presidente sejam mantidos. Segundo ele:

“Se não chegarmos a um acordo, paciência, vamos ver o que podemos destacar de veto, vamos ao voto, à apreciação.”

Equipes técnicas da Casa Civil e representantes do agronegócio, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS), estão em negociação para tentar um acordo parcial. Tereza admitiu ao g1 a possibilidade dessa conciliação.

No entanto, uma carta assinada por 89 entidades do setor produtivo foi entregue a parlamentares defendendo que todos os vetos sejam derrubados. A Coalizão das Frentes Produtivas alerta que os vetos atingem o “coração” da lei, causando insegurança jurídica para o setor.

Conteúdo vetado e críticas ambientais

Em agosto, Lula sancionou a lei, mas vetou 63 dispositivos criticados principalmente por ambientalistas. O argumento dessas entidades é que o texto vetado pode reduzir o controle sobre atividades potencialmente degradadoras e expor comunidades tradicionais a riscos.

Na semana passada, senadores da base aliada e da oposição indicaram que há tendência para derrubada integral dos vetos. A Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) conta com 303 deputados membros, influenciando as decisões.

Mecanismos para acelerar licenciamento

O governo enviou um projeto de lei e uma medida provisória (MP) para o Congresso para tentar avançar na negociação. A MP institui a Licença Ambiental Especial (LAE), que permite autorizar obras e empreendimentos rapidamente, mesmo com potencial impacto ambiental, desde que considerados estratégicos pela União.

Davi Alcolumbre defende a LAE especialmente para viabilizar a exploração de petróleo na Foz do Rio Amazonas. A MP está em comissão mista, presidida pela senadora Tereza Cristina, líder influente na FPA.

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