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Concentração de poluentes atmosféricos cai mais de 60% no Rio de Janeiro 

Por JR Vital Analista Geopolítico

A concentração de hidrocarbonetos (HCs) na atmosfera, poluentes precursores na formação de ozônio troposférico, teve uma queda superior a 60% entre 2012 e 2023 na cidade do Rio de Janeiro após o avanço do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve).
 

É o que mostra um estudo feito por pesquisadores da Universidade Veiga de Almeida (UVA), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), publicado recentemente na revista ACS Omega, da American Chemical Society.
 

A frota veicular na capital passou de 2,62 milhões de unidades para 3,39 milhões no período, um crescimento de mais de 29%. Mesmo com o aumento, o estudo revela uma redução expressiva nas concentrações de hidrocarbonetos no ar.
 

Em campanhas anteriores de monitoramento, em 2012 e 2016, alguns locais registravam valores acima de 700 μg/m³, enquanto a análise mais recente indicou uma mediana de 101 μg/m³, uma queda superior a 60% em relação aos níveis mais altos observados. As coletas foram feitas nos bairros do Maracanã, Tijuca, Bangu e Del Castilho.
 

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“Esses resultados refletem os efeitos da modernização da frota, especialmente após as fases L6 e L7 do Proconve, que entraram em vigor em 2013 e 2022, respectivamente, e trouxeram limites mais restritivos nas emissões dos gases de escapamento. A renovação da frota brasileira é lenta, visto que a idade média dos veículos leves é de 8 a 9 anos”, explica Cleyton Martins, professor e pesquisador do Mestrado Profissional em Ciências do Meio Ambiente da UVA e um dos autores do estudo.
 

A diminuição foi ainda mais evidente nos compostos aromáticos, reconhecidos por serem muito reativos e importantes na formação de ozônio troposférico. Em 2015, os aromáticos representavam até 14% dos hidrocarbonetos medidos, enquanto em 2023 esse valor caiu para apenas 6%.
 

O potencial médio de formação de ozônio (OFP), ou seja, a massa de ozônio formada na atmosfera por cada grama de hidrocarbonetos emitido, também apresentou melhora significativa. Em 2015, esse indicador variava entre 2,5 e 2,8 gO₃/gHC, enquanto em 2023 a média caiu para 1,75 gO₃/gHC, uma redução de aproximadamente 35%.
 

“Isso significa que, além de menos poluentes estarem sendo emitidos, a mistura presente na atmosfera está menos propensa a gerar ozônio, o que reduz o risco de episódios críticos de qualidade do ar. O ozônio troposférico é um poluente secundário, que não é emitido, mas se forma quando a luz solar reage com hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio”, completa Cleyton Martins.
 

O levantamento também identificou o novo perfil das emissões urbanas. Cerca de 94% da massa total de hidrocarbonetos medidos em 2023 concentra-se em apenas 15 compostos, predominantemente alcanos leves como n-butano, propano, isopentano e etano, típicos de emissões veiculares. Já diversos aromáticos e compostos mais pesados, comuns em medições antigas, aparecerem abaixo do limite de detecção.
 

Apesar dos avanços, o estudo aponta a necessidade de ampliar o monitoramento de compostos orgânicos voláteis no Brasil. “Não há legislação específica para hidrocarbonetos relacionada ao monitoramento da qualidade do ar. No entanto, alguns deles têm potencial cancerígeno, como benzeno, tolueno e xilenos”, finaliza o pesquisador da UVA.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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