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Opções de Bolsonaro para escapar da Papuda são fugir para Hungria ou crises de soluço

Primeira Turma confirma, por unanimidade, condenação de 27 anos e três meses; ex-presidente busca saída médica ou abrigo político.
Jair Bolsonaro - Foto: Depositphotos.com
Jair Bolsonaro - Foto: Depositphotos.com
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou por unanimidade os recursos apresentados pela defesa de Jair Bolsonaro, mantendo a condenação a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

A decisão, concluída com o voto da ministra Cármen Lúcia, reforça o entendimento do relator Alexandre de Moraes e amplia o cerco judicial contra o ex-presidente. Apesar da derrota, a prisão imediata ainda não foi decretada.


Defesa aposta em “embargos dos embargos” e apela à saúde

A defesa de Bolsonaro pretende recorrer com os chamados “embargos dos embargos”, uma tentativa derradeira de reverter a condenação. Segundo advogados próximos ao ex-presidente, a nova estratégia inclui o pedido de cumprimento da pena em casa, sob o argumento de fragilidade médica e risco à integridade física.

Os defensores afirmam que Bolsonaro “não suportará a rotina da Papuda” e que, em poucos dias, deve apresentar agravamento clínico. Um deles declarou à Folha de S.Paulo que o ex-presidente “vai ter um piripaque”, indicando que a equipe jurídica espera usar o histórico de cirurgias e internações como base para o pedido.

O ex-capitão já passou por seis cirurgias abdominais, além de procedimentos para refluxo, desvio de septo, obstrução intestinal e erisipela. Essa condição médica, somada ao impacto psicológico da prisão domiciliar, embasaria o argumento de que ele não teria condições de cumprir pena em regime fechado.


Eduardo Bolsonaro acena à Hungria e reforça plano de fuga

Em paralelo às manobras jurídicas, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou nas redes um vídeo com o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, em que o líder ultradireitista envia um recado direto a Jair Bolsonaro:

“Mesmo diante de quaisquer problemas e dificuldades em que você esteja, você pode contar conosco, com os húngaros e com o governo da Hungria também. Que Deus o abençoe, presidente”, disse Orbán.

A gravação foi feita antes de Orbán se reunir com Donald Trump nos Estados Unidos e compartilhada por Eduardo com a legenda:

“Gratidão não prescreve, e a recíproca é verdadeira. O mundo saberá a verdade.”

Nos bastidores, o gesto foi lido como um sinal de possível fuga diplomática, já que Orbán é um aliado histórico da família Bolsonaro e chegou a oferecer abrigo ao ex-presidente na embaixada húngara em 2023, gerando uma crise diplomática entre os países.


Inspeção na Papuda indica preparação para prisão fechada

Nesta semana, o ministro Alexandre de Moraes enviou sua chefe de gabinete para inspecionar a ala do Complexo Penitenciário da Papuda onde Bolsonaro deve cumprir pena. A visita foi acompanhada pela juíza Leila Cury, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal.

Jair Bolsonaro - Foto: Reprodução
Jair Bolsonaro – Foto: Reprodução

Segundo fontes do STF e da Polícia Federal, a inspeção indica que o tribunal prepara a logística para a transferência ao regime fechado, ainda que por um período inicial. O plano segue o modelo adotado no caso de Fernando Collor, que cumpriu parte da pena em cela especial antes de obter prisão domiciliar humanitária.

A leitura entre ministros é de que Moraes negará pedidos iniciais de domiciliar, permitindo a permanência temporária de Bolsonaro na Papuda até que laudos médicos comprovem risco clínico real. O objetivo é evitar manobras protelatórias e garantir cumprimento efetivo da decisão judicial.


Relação com Orbán expõe aliança autoritária

A proximidade entre Bolsonaro e Viktor Orbán é antiga e baseada em afinidade ideológica ultraconservadora. Ambos compartilham discurso contra instituições democráticas, ataques à imprensa e defesa de pautas religiosas e moralistas.

Orbán é amplamente criticado por organizações internacionais por restringir liberdades civis, perseguir opositores políticos e interferir no Judiciário. O vínculo entre os dois líderes reforça a rede internacional de apoio à extrema direita, que inclui figuras como Donald Trump e Javier Milei.

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