OS FATOS:
- Das 1.895.130 novas vagas de emprego formal geradas entre janeiro e novembro de 2025, 88,2% foram ocupadas por inscritos no Cadastro Único.
- O protagonismo feminino é absoluto: as mulheres respondem por 52,1% do saldo líquido de empregos no CadÚnico e por 60,5% das admissões entre beneficiários do Bolsa Família.
- Cinco estados (SP, MG, RJ, BA e PR) concentram 55,1% da absorção dessa mão de obra, evidenciando a força da inclusão produtiva nos grandes polos econômicos.
O Fim do Mito do “Exército de Reserva” Imobilizado
Os dados revelados pelo cruzamento entre o MDS e o Caged em 2025 impõem uma derrota retórica ao pensamento conservador que enxerga as políticas de transferência de renda como um desincentivo ao trabalho. O que se observa é uma transição virtuosa: o Cadastro Único atua como uma ponte, e não como uma âncora. Quando 1,6 milhão de pessoas em situação de vulnerabilidade ascendem ao mercado formal em apenas onze meses, o Estado demonstra que a proteção social é o lastro necessário para a estabilidade que o trabalhador precisa para buscar o crachá e a carteira assinada.
Essa dinâmica revela um Brasil que, embora ainda profundamente desigual, utiliza sua rede de proteção para oxigenar o setor de serviços e a indústria. A inclusão não é um favor; é uma estratégia de expansão do mercado consumidor interno.

Feminilização e Regionalização do Trabalho Formal
O dado mais politicamente potente deste balanço é a hegemonia feminina. Em um cenário histórico de dupla jornada e exclusão, as mulheres do CadÚnico estão na vanguarda da retomada do emprego. Elas não apenas buscam o trabalho, mas o conquistam em maior proporção que os homens (56% das contratações totais do cadastro). Este é um paralelo histórico à entrada das mulheres no mercado de trabalho no pós-guerra, mas aqui, marcado pela necessidade de chefiar lares que são, simultaneamente, o público-alvo prioritário das políticas sociais.
A distribuição geográfica do emprego formal para este público desenha o mapa da recuperação econômica brasileira, com o eixo Sul-Sudeste liderando, mas com a Bahia firmando-se como um bastião de absorção de mão de obra vulnerável no Nordeste.
| Estado | Saldo de Empregos (CadÚnico) | Concentração do Grupo |
| São Paulo | 427.822 | Liderança industrial e de serviços |
| Minas Gerais | 153.887 | Expansão do setor terciário |
| Rio de Janeiro | 129.363 | Retomada do mercado metropolitano |
| Bahia | 114.551 | Protagonismo regional no Nordeste |
| Paraná | 95.742 | Eficiência da agroindústria e serviços |
Inclusão Produtiva: O Próximo Salto
A integração do Bolsa Família com o mercado formal — onde o programa responde por 63,8% das vagas geradas no período — reforça a tese de que a segurança alimentar é o primeiro degrau da produtividade. O desafio para 2026, ano eleitoral e de consolidação de metas, será garantir que essa massa de novos trabalhadores formais não apenas entre no sistema, mas permaneça nele, com salários que permitam a saída definitiva do cadastro de vulnerabilidade por meio da autonomia financeira, e não por cortes administrativos.
O fato de um beneficiário do Bolsa Família conseguir um emprego formal cancela automaticamente o seu benefício?
Não necessariamente de forma imediata. Pela Regra de Proteção do programa, a família pode permanecer no Bolsa Família por até dois anos, recebendo 50% do valor do benefício, desde que a renda por pessoa não ultrapasse meio salário mínimo. Essa medida visa justamente dar segurança ao trabalhador para que ele não tema perder o apoio estatal ao aceitar uma oportunidade de carteira assinada, garantindo uma transição sustentável para a independência econômica.





