Israel planeja reduzir população de Gaza ao mínimo, confirma jornal em hebraico

Apesar da oposição internacional, incluindo Estados Unidos e Egito, Netanyahu vê o plano como objetivo estratégico de seu regime

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
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Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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O jornal em hebraico Israel Hayom confirmou nesta sexta-feira (1°) que o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, encomendou um plano a seu ministro de Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, para reduzir o número de palestinos em Gaza ao mínimo possível, como resultado da agressão em curso contra o território costeiro.

Netanyahu e Dermer são colegas do partido Likud, cujo manifesto nega a existência do povo palestino e demanda “soberania israelense” do “Mar [Mediterrâneo] à Jordânia”.

O plano não foi apresentado ainda ao Comitê Ministerial de Segurança Nacional, tampouco discutido pelas instituições devido a seu caráter “sensível”. Conforme a reportagem, a Casa Branca de Joe Biden deve rejeitá-lo.

Políticos do Likud e dos partidos de extrema-direita Sionismo Religioso — comandado pelo ministro das Finanças Bezalel Smotrich — e Otzma Yehudit (Poder Judeu) — do ministro de Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir — devem apoiar a proposta.

Apesar da oposição internacional, incluindo Estados Unidos e Egito, Netanyahu vê o plano como objetivo estratégico de seu regime. Para tanto, pretende promover a proposta sob o verniz de “redução da densidade demográfica em Gaza”.

Uma das hipóteses para contornar a oposição do Egito é permitir a abertura de rotas marítimas, ao forçar os palestinos de Gaza a recorrer às perigosas jornadas pelo Mar Mediterrâneo a países da África e da Europa.

Em contexto semelhante, Avigdor Lieberman, chefe do partido Yisrael Beiteinu, Avigdor Lieberman, pediu a Washington que pressione o governo egípcio a assumir controle do enclave palestino após a guerra, ao deferir a chamada Área A da Cisjordânia ocupada à administração jordaniana e expropriar o restante.

Na rede social X (Twitter), Lieberman descreveu seu esquema — em violação do direito de autodeterminação do povo palestino — como alternativa à solução de dois Estados, ainda promovida pela comunidade internacional apesar dos esforços contrários de Israel.

Nesta sexta-feira (1°), o exército israelense retomou seus ataques a Gaza, após sete dias de pausa para troca de prisioneiros.

Israel mantém bombardeios a Gaza desde 7 de outubro, em retaliação a uma ação surpresa do grupo Hamas que atravessou a fronteira e capturou colonos e soldados. Cerca de 15 mil palestinos foram mortos nos 45 dias que antecederam a trégua, entre os quais mais de seis mil crianças e quatro mil mulheres.

Desde então, Israel dobrou o número de reféns palestinos em seus calabouços, chegando a cerca de dez mil detidos arbitrariamente. As ações israelenses — tanto em Gaza quanto na Cisjordânia — são punição coletiva, crime de guerra e genocídio.

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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.