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Assassinato Liberado

Donald Trump chancela assassinato de mulher em ação do ICE e inflama os EUA

Por JR Vital Analista Geopolítico

O gatilho puxado em Mineápolis não ficou restrito à cena do crime. Ele ecoou na Casa Branca. Donald Trump decidiu chancelar publicamente a morte de uma cidadã americana durante uma operação do ICE, qualificando-a como “agitadora profissional” e transformando um episódio sob investigação em peça de propaganda política.

Não é apenas uma declaração presidencial; é uma autorização simbólica.


De Jim Crow ao Estado securitário

A história americana conhece bem o expediente: quando o poder rotula, a violência se legitima. Do policiamento racial da era Jim Crow às leis de exceção do pós-11 de Setembro, a ampliação do aparato de segurança quase sempre veio acompanhada de desumanização do “outro”. O ICE, neste capítulo, surge como herdeiro dessa tradição — agora com verniz digital e aval presidencial.


“Quando o presidente sentencia antes da justiça, o Estado deixa de investigar para exemplificar.”


A versão oficial e as fraturas do relato

Segundo o governo, a motorista teria avançado com o carro contra agentes, ferindo um deles. O disparo teria sido reação. Trump publicou imagens, descreveu a cena como “horrível” e encerrou o debate antes que ele começasse. O Departamento de Segurança Interna reforçou a narrativa, elevando o tom ao classificar o episódio como “terrorismo doméstico”.

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Do outro lado, testemunhas e lideranças locais relatam uma cena distinta: socorro impedido, uso desproporcional da força e uma operação de rotina convertida em tragédia.


Cidade em alerta, ruas em ebulição

Mineápolis e St. Paul já viviam tensão após o anúncio de uma grande ofensiva migratória com milhares de agentes. A morte catalisou o que estava latente. Manifestantes ocuparam o local, exigindo responsabilização e o fim das operações federais. Prefeito e parlamentares estaduais criticaram a atuação dos agentes, abrindo fissura institucional entre governos locais e Washington.


O precedente que assusta

Ao carimbar “legítima defesa” antes da apuração, a Casa Branca sinaliza um padrão: a força primeiro, a investigação depois — se houver. Em um país cansado de funerais e vídeos, o risco não é apenas jurídico. É civilizatório.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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