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PILHAGEM IMPERIAL

Doutrina Do Choque: EUA reinventam o colonialismo sob o manto da liberdade

A ofensiva militar norte-americana na Venezuela, sob a égide do governo Trump, mascara a sanha pelo petróleo com a retórica da salvação democrática, ignorando o direito internacional e reeditando o intervencionismo predatório do século XX.

Por JR Vital Analista Geopolítico

OS FATOS:

  • A operação militar dos EUA na Venezuela foi executada sem mandato do Conselho de Segurança da ONU ou evidência de legítima defesa, violando o Artigo 2º da Carta das Nações Unidas.
  • Donald Trump declarou explicitamente a intenção de controlar as reservas petrolíferas venezuelanas para “compensar” os custos da invasão, exigindo a entrega de até 50 milhões de barris de petróleo.
  • A transição política está sendo desenhada por Washington através de negociações diretas com a cúpula do regime chavista e empresas norte-americanas, marginalizando a oposição eleita em 2024.

A Estética da Invasão e o Fetiche Energético

A incursão militar dos Estados Unidos na Venezuela, culminando na captura de Nicolás Maduro, não é um evento isolado, mas o ápice de uma estética do poder que se alimenta da fragilidade institucional latino-americana. O que se assiste é a reedição da “Diplomacia do Porrete” (Big Stick Policy) de Theodore Roosevelt, agora revestida por uma camada de pragmatismo mercantilista. A alegação de “narcoterrorismo” serve como o MacGuffin hitchcockiano: um artifício narrativo que justifica a ação, enquanto o verdadeiro interesse reside na apropriação indébita das maiores reservas de hidrocarbonetos do planeta.

Ao proclamar que a Venezuela usará suas receitas para comprar exclusivamente produtos Made in America, Trump remove o véu de qualquer pretensão humanitária. Trata-se de um contrato de vassalagem imposto por mísseis. A história, como ensinou Marx, repete-se primeiro como tragédia e depois como farsa; aqui, a farsa é a de um libertador que cobra a conta da liberdade com o subsolo do libertado.

O Impasse Geopolítico e a Anatomia da Exploração

A estrutura da intervenção revela uma desconsideração absoluta pelo quadro jurídico internacional. Especialistas apontam que o bombardeio unilateral e a captura de um chefe de Estado — independentemente de sua legitimidade interna — criam um precedente anárquico. A tabela abaixo ilustra a discrepância entre a narrativa oficial de “libertação” e a realidade da “administração” colonial proposta:

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Dimensão da CriseNarrativa de WashingtonRealidade Geopolítica
JustificativaDefesa da Democracia e Direitos HumanosControle estratégico do cinturão de petróleo do Orinoco
Base LegalCombate ao NarcoterrorismoViolação direta da Soberania e da Carta da ONU
Pós-ConflitoReconstrução NacionalAtrelamento da economia venezuelana à indústria dos EUA
Transição PolíticaApoio à Oposição DemocráticaNegociações de cúpula com o aparelho militar chavista

O Labirinto de Lula e a Resiliência da Autodeterminação

O Brasil, sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, encontra-se em um labirinto diplomático. Por um lado, a tradição do Itamaraty — herdeira da visão de Rio Branco — exige a condenação veemente da agressão norte-americana como uma afronta à soberania regional. Por outro, o governo brasileiro é instado a equilibrar sua retórica para não parecer um fiador das derivas autoritárias do regime capturado.

A crítica de Lula ao ataque não é uma defesa de Maduro, mas a defesa de um sistema internacional que impeça que qualquer potência decida, por força própria, quem deve governar seus vizinhos. O risco é que a América Latina retorne ao status de “quintal”, onde a democracia é apenas o nome dado ao alinhamento automático com os interesses de Washington. A soberania, nesse contexto, deixa de ser um direito e passa a ser uma concessão do Império.

A intervenção militar dos EUA na Venezuela pode ser considerada legítima perante o Direito Internacional?

Não. De acordo com a Carta da ONU e a jurisprudência da Corte Internacional de Justiça, o uso da força só é lícito em legítima defesa após um ataque armado ou sob autorização explícita do Conselho de Segurança. A operação unilateral dos EUA carece de ambos os requisitos, configurando um ato de agressão internacional e uma violação do princípio de não intervenção, independentemente da natureza interna do regime venezuelano.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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