Manobras Perdidas

Bolsonaro recua de anistia e mira fim do foro privilegiado

Ex-presidente muda estratégia no Congresso para proteger base e retardar julgamento no STF
Jair Bolsonaro - Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Jair Bolsonaro - Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O ex-presidente Jair Bolsonaro orientou a bancada do PL a abandonar a pressão pela anistia e concentrar esforços na aprovação do fim do foro privilegiado. A mudança ocorreu após o motim de 30 horas da oposição na Câmara e surpreendeu aliados, que haviam priorizado o projeto com incentivo direto do ex-mandatário.

Mudança abrupta de estratégia

Segundo interlocutores, Bolsonaro decidiu recuar para transmitir uma “sensação de autonomia” ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sem apresentar justificativa detalhada. A decisão gerou desconforto entre líderes bolsonaristas que haviam colocado a anistia no topo da agenda legislativa.

A reorientação teria sido motivada pela constatação de que não há votos suficientes para aprovar o texto, mesmo com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que atua em sintonia com o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para pressionar o Legislativo brasileiro.

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Reduzir desgaste e preservar a base

A manobra busca também evitar o agravamento da crise com Hugo Motta, que analisa punições contra 14 deputados envolvidos na invasão da Mesa Diretora. Suspensões de até seis meses poderiam enfraquecer a bancada bolsonarista e reduzir sua capacidade de ação no Congresso.

O fim do foro privilegiado, agora prioridade, é visto por Bolsonaro como uma oportunidade para reforçar seu discurso político diante do risco de condenação por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF). Embora a mudança de instância seja improvável, a aprovação da proposta poderia embasar uma onda de ações judiciais para questionar decisões da Corte.

Olho no STF e tática para atrasar decisões

O ex-presidente aposta ainda em um eventual voto contrário do ministro Luiz Fux na Primeira Turma do STF. Nesse cenário, a defesa tentaria levar o julgamento ao plenário, onde aliados como André Mendonça e Kássio Nunes Marques poderiam pedir vista do processo, retardando uma condenação definitiva que pode levá-lo à prisão.

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