Trama do Enfermo

Moraes escala Junta Médica para avaliar se o golpista Bolsonaro vai para hospital penitenciário

Ministro do STF dá 10 dias para peritos oficiais avaliarem se o ex-presidente é um paciente grave ou apenas um hóspede exigente; decisão barra, por ora, o sonho da prisão domiciliar sob o pretexto da saúde.

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
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Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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O ex-presidente Jair Bolsonaro em hospital. Foto: Reprodução

A estratégia da defesa de Jair Bolsonaro de transformar o prontuário médico em um salvo-conduto para o conforto do lar sofreu um revés técnico nas mãos de Alexandre de Moraes. Nesta quinta-feira (15), ao mesmo tempo em que autorizou a “hospedagem” na Papudinha, o ministro determinou que uma Junta Médica Oficial realize uma perícia rigorosa no ex-presidente.

O objetivo? Decidir se ele precisa de um Hospital Penitenciário ou se a estrutura de 65 metros quadrados, com direito a esteira e cozinha privativa, já não é um exagero para quem, segundo exames realizados no hospital de luxo DF Star, não apresenta sequer uma mancha roxa da “queda da cama” que serviu de drama central para a transferência.

Moraes foi cirúrgico ao expor a higidez da equipe médica da Polícia Federal, rebatendo as insinuações de omissão. Para o ministro, a “fragilidade” alegada pelos advogados precisa passar pelo crivo da ciência estatal, e não apenas pelo pavor familiar de uma comida que não tenha o selo de aprovação de Michelle.

Com o prazo de 10 dias para a entrega do laudo, Bolsonaro viverá um limbo entre o privilégio militar e a realidade carcerária. O recado de Moraes é claro: a prisão não é um check-in hoteleiro, e a conversão em prisão domiciliar não será concedida à base de soluços ou tombos noturnos mal explicados.

A ciência médica será o último muro entre Bolsonaro e o pijama da domiciliar?

Será que o homem que receitava cloroquina e desdenhava de máscaras agora confia na “Junta Médica Oficial” para validar suas dores estratégicas? A ironia é deliciosa: Bolsonaro, o cético das vacinas, agora depende de um laudo de Estado para provar que sua saúde é incompatível com o Batalhão da PM. Ao negar o pedido de prisão domiciliar imediata, Moraes retira a política do diagnóstico e coloca a biologia no banco das testemunhas. Se o laudo disser que a esteira e as barras de apoio são suficientes, o “Capitão” terá de aprender que a dor da alma por estar longe do Wi-Fi não se cura em hospitais, mas com o cumprimento do Direito Penal.


O Check-up do Poder: O que a perícia vai vasculhar

Ponto de ConflitoAlegação da DefesaVeredito Preliminar (Moraes)O Papel da Junta Médica
A “Queda da Cama”Gerou riscos e traumas graves.Exames do DF Star não apontam sequelas.Avaliar necessidade de barras extras.
Alimentação“Desconfiança” e insegurança.Cozinha privativa já autorizada no 19º BPM.Definir restrições dietéticas reais.
Sono e FisioterapiaNecessidade de estabilização.Espaço para esteira e bicicleta garantido.Validar se o tratamento exige hospital.
Prisão DomiciliarÚnica saída para a saúde.Negada temporariamente.Dar a palavra final sobre a compatibilidade.

A análise do Diário Carioca é implacável: Moraes está dando corda para que a defesa se enforque em suas próprias contradições. Ao oferecer uma estrutura hospitalar dentro de um batalhão militar, o ministro esvazia o argumento da “falta de estrutura” e isola a tentativa de fuga para a domiciliar. A perícia médica de 10 dias será o termômetro da verdade: ou Bolsonaro é um doente crônico que exige cuidados hospitalares — sob vigilância máxima — ou é apenas um condenado tentando usar a medicina para burlar o destino que a Papuda lhe reservou.


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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.