A estratégia da defesa de Jair Bolsonaro de transformar o prontuário médico em um salvo-conduto para o conforto do lar sofreu um revés técnico nas mãos de Alexandre de Moraes. Nesta quinta-feira (15), ao mesmo tempo em que autorizou a “hospedagem” na Papudinha, o ministro determinou que uma Junta Médica Oficial realize uma perícia rigorosa no ex-presidente.
O objetivo? Decidir se ele precisa de um Hospital Penitenciário ou se a estrutura de 65 metros quadrados, com direito a esteira e cozinha privativa, já não é um exagero para quem, segundo exames realizados no hospital de luxo DF Star, não apresenta sequer uma mancha roxa da “queda da cama” que serviu de drama central para a transferência.
Moraes foi cirúrgico ao expor a higidez da equipe médica da Polícia Federal, rebatendo as insinuações de omissão. Para o ministro, a “fragilidade” alegada pelos advogados precisa passar pelo crivo da ciência estatal, e não apenas pelo pavor familiar de uma comida que não tenha o selo de aprovação de Michelle.
Com o prazo de 10 dias para a entrega do laudo, Bolsonaro viverá um limbo entre o privilégio militar e a realidade carcerária. O recado de Moraes é claro: a prisão não é um check-in hoteleiro, e a conversão em prisão domiciliar não será concedida à base de soluços ou tombos noturnos mal explicados.
A ciência médica será o último muro entre Bolsonaro e o pijama da domiciliar?
Será que o homem que receitava cloroquina e desdenhava de máscaras agora confia na “Junta Médica Oficial” para validar suas dores estratégicas? A ironia é deliciosa: Bolsonaro, o cético das vacinas, agora depende de um laudo de Estado para provar que sua saúde é incompatível com o Batalhão da PM. Ao negar o pedido de prisão domiciliar imediata, Moraes retira a política do diagnóstico e coloca a biologia no banco das testemunhas. Se o laudo disser que a esteira e as barras de apoio são suficientes, o “Capitão” terá de aprender que a dor da alma por estar longe do Wi-Fi não se cura em hospitais, mas com o cumprimento do Direito Penal.
O Check-up do Poder: O que a perícia vai vasculhar
| Ponto de Conflito | Alegação da Defesa | Veredito Preliminar (Moraes) | O Papel da Junta Médica |
| A “Queda da Cama” | Gerou riscos e traumas graves. | Exames do DF Star não apontam sequelas. | Avaliar necessidade de barras extras. |
| Alimentação | “Desconfiança” e insegurança. | Cozinha privativa já autorizada no 19º BPM. | Definir restrições dietéticas reais. |
| Sono e Fisioterapia | Necessidade de estabilização. | Espaço para esteira e bicicleta garantido. | Validar se o tratamento exige hospital. |
| Prisão Domiciliar | Única saída para a saúde. | Negada temporariamente. | Dar a palavra final sobre a compatibilidade. |
A análise do Diário Carioca é implacável: Moraes está dando corda para que a defesa se enforque em suas próprias contradições. Ao oferecer uma estrutura hospitalar dentro de um batalhão militar, o ministro esvazia o argumento da “falta de estrutura” e isola a tentativa de fuga para a domiciliar. A perícia médica de 10 dias será o termômetro da verdade: ou Bolsonaro é um doente crônico que exige cuidados hospitalares — sob vigilância máxima — ou é apenas um condenado tentando usar a medicina para burlar o destino que a Papuda lhe reservou.

