Enquanto Claudio Castro tenta equilibrar as contas de um estado em regime de recuperação fiscal, a previdência dos servidores estaduais acaba de sofrer um nocaute técnico que pode custar R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos.
O impasse com o Banco Master — a instituição “queridinha” de certos setores políticos que ruiu sob investigação da Polícia Federal — atingiu o ponto crítico nesta quarta-feira (14). O liquidante Eduardo Felix Bianchini, interventor do Banco Central, deu um sonoro “não” à tentativa desesperada do Rioprevidência de trocar títulos sem valor por precatórios. A negativa expõe a fragilidade de uma operação que, desde o início, cheirava a fumaça.
A gestão de Castro permitiu que o Rioprevidência investisse R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Master entre 2023 e 2024 — ativos que não possuem a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ou seja, o governo do Rio jogou o dinheiro da aposentadoria dos servidores em uma aposta de alto risco, sem rede de segurança, em uma instituição cujo dono, Daniel Vorcaro, agora é alvo da PF por fraudes bilionárias. Agora, com o banco em liquidação, o Estado tenta um “fura-fila” jurídico para não ficar no prejuízo, mas o liquidante foi claro: beneficiar o Rio em detrimento de outros credores é ilegal.
O “rebaixamento internacional” que a direita tanto propaga nos EUA (como no caso dos vistos) já acontece domesticamente na gestão financeira do Rio.
O Tesouro Estadual, que já sangra, será o garantidor final desse rombo. Se o Master não pagar — e as chances de um haircut (calote parcial) são imensas —, o cidadão fluminense pagará a conta para que o calendário de pagamentos não atrase. É a socialização do prejuízo após a privatização dos ganhos de um banco que operava nas sombras do poder.
A Anatomia do Rombo Previdenciário
A exposição do Rioprevidência ao Grupo Master é um estudo de caso sobre como não gerir dinheiro público:
| Ativo de Risco | Valor Estimado | Situação Atual |
| Letras Financeiras | R$ 970 milhões | Sem garantia do FGC; liquidação suspensa. |
| Fundos de Corretoras | R$ 1,5 bilhão | Sob investigação da PF e do TCE-RJ. |
| Precatórios (Proposta) | R$ 1,2 bilhão | Rejeitada pelo administrador do BC. |
| Resgate ‘Revolution’ | R$ 250 milhões | Solicitado emergencialmente em janeiro/26. |
A “Incompetência Planejada”
Por que o Rioprevidência continuou injetando dinheiro no Master mesmo quando o mercado já sinalizava dificuldades? A resposta parece estar nos corredores da Alerj e nos palácios, onde as conexões políticas de Vorcaro sempre foram mais fortes que os relatórios de compliance. Claudio Castro, que agora vê seu aliado e doador de campanha (via familiares e sócios) sob a mira da Justiça, terá que explicar ao servidor público por que o futuro de suas pensões foi atrelado a uma instituição que a PF classifica como um ninho de fraudes financeiras.
A tentativa de Deivis Marcon Antunes, presidente do Rioprevidência, de “dar um jeitinho” via precatórios foi barrada pela realidade técnica da liquidação bancária. No Rio de Janeiro de Castro, a previdência não é tratada como um direito sagrado do trabalhador, mas como um fundo de investimento para sustentar bancos amigos. Se o rombo se confirmar, a fatura chegará via impostos ou corte de serviços básicos. A conta da má gestão é sempre do povo, enquanto os banqueiros tentam fugir para Dubai.





