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Religiões de matriz africana cercam prefeitura contra o “Réveillon Gospel” de Eduardo Paes

Por JR Vital Analista Geopolítico

A frente da Prefeitura do Rio, na Cidade Nova, transformou-se nesta quarta-feira (14) em um quilombo de resistência e fé. Lideranças de matrizes africanas, apoiadas pela Comissão de Combate às Discriminações da Alerj, realizam o ato “Essa gente somos nós!”, um grito contra a política de privilégios religiosos que marcou o último Réveillon de Copacabana. O estopim foi a criação de um palco exclusivo para a música gospel, financiado pelo erário, que gerou um processo no Ministério Público Federal por ferir o princípio constitucional da laicidade.

O prefeito Eduardo Paes, mestre na arte de equilibrar o chapéu de panamá com o apoio de setores conservadores, tentou minimizar a crise chamando os críticos de “preconceituosos” em uma publicação no X. No entanto, para o babalawô Ivanir dos Santos e para o deputado Prof. Josemar (PSOL), a questão não é o ritmo musical, mas a institucionalização de uma preferência. Enquanto o “povo cristão” ganha palco e holofote oficial, as religiões que deram origem à própria alma do Rio — e que sofrem ataques sistemáticos em seus terreiros — são tratadas como “folclore” ou invisibilizadas na hora da partilha orçamentária.

No Diário Carioca, a análise é certeira: Paes, ao tentar ser o “prefeito de todos”, acabou escorregando na própria demagogia. Ao classificar como “preconceito dessa gente” a cobrança legítima por equidade, ele flerta com a lógica de exclusão que alimenta a intolerância. A “Navalha Carioca” corta: no Rio, o samba pode até ter lugar, mas o dinheiro público, pelo visto, tem ajoelhado para um lado só. O Estado Laico não é um bufê onde o governante escolhe a religião do dia; é um dever de imparcialidade que a prefeitura parece ter esquecido entre um “Amém” e um “Axé” de rede social.

O Peso da Balança Religiosa (Réveillon 2026)

A polêmica reside na discrepância de investimento e espaço institucional entre as crenças:

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Elemento em DisputaTratamento da PrefeituraStatus Constitucional
Música GospelPalco exclusivo em Copacabana.Questionado pelo MPF (Privilégio).
Matriz AfricanaSem espaço orçamentário equivalente.Marginalização histórica.
Recursos PúblicosDirecionamento para evento confessional.Violação da Laicidade (Art. 19, I).
Resposta de Paes“Preconceito dessa gente”.Desvio de finalidade institucional.

A “Gente” que o Prefeito Invisibiliza

O título do protesto, “Essa gente somos nós!”, é uma apropriação irônica da fala de Paes. A “gente” que o prefeito tentou desqualificar é a mesma que sustenta o patrimônio imaterial da cidade. O ato prevê um abraço simbólico ao prédio da administração municipal, lembrando que a laicidade é a única garantia de que o Rio não se torne um feudo teocrático. Quando o poder público decide qual fé merece um palco na areia, ele automaticamente decide quais devem ficar na sombra.

Com informações da Agenda do Poder

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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