
A divulgação de 3 milhões de documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA em fevereiro de 2026 expõe uma chaga que a Noruega tentou cauterizar: a infiltração de Jeffrey Epstein no coração do poder nórdico. O envolvimento da princesa herdeira Mette-Marit, cujo nome aparece mais de mil vezes nos arquivos, e do ex-primeiro-ministro Thorbjørn Jagland, revela que a “filantropia” de Epstein era, na verdade, um cavalo de Troia para cooptar o prestígio das democracias mais estáveis do mundo. Este não é um erro de “discernimento” individual, mas um sintoma de como o capital predatório utiliza causas humanitárias para comprar acesso e impunidade.
O caso ganha contornos dramáticos ao coincidir com o julgamento de Marius Borg Høiby, filho da princesa, acusado de 38 crimes, incluindo estupro. A troca de e-mails onde Mette-Marit sugere imagens de “mulheres nuas” para o quarto do filho adolescente sob a consultoria de um predador sexual condenado é o retrato de uma aristocracia desorientada. Enquanto nomes como Børge Brende (Fórum Económico Mundial) e Terje Rød-Larsen tentam distanciar-se, o “Efeito Epstein” prova que a elite de Oslo, Washington ou Paris operava sob uma ética de conveniência, onde o dinheiro do magnata valia mais do que o histórico de abuso que já era público desde 2008.





