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Globo de Ouro: ‘O Agente Secreto’ Recoloca o Brasil no centro do cinema mundial

Por JR Vital Analista Geopolítico

OS FATOS:

  • ‘O Agente Secreto’, de Kleber Mendonça Filho, venceu o Globo de Ouro 2026 de melhor filme em língua não-inglesa.
  • É a primeira vitória brasileira na categoria desde ‘Central do Brasil’, em 1999, encerrando um hiato de 27 anos.
  • O filme é estrelado por Wagner Moura e ambientado no Brasil da década de 1970, durante a ditadura militar.

Cinema Como Arquivo Da História

Quando Minnie Driver pronunciou “Parabéns” antes de anunciar o título brasileiro no palco de Hollywood, não se tratava apenas de um gesto protocolar: era o reconhecimento de que o Brasil voltava a falar com voz própria no centro nervoso da indústria cultural do planeta. ‘O Agente Secreto’ não venceu porque é exótico, mas porque é politicamente e esteticamente inescapável.

Kleber Mendonça Filho construiu uma filmografia que funciona como arqueologia da memória nacional. Em ‘O Agente Secreto’, o Recife dos anos 1970 não é um cenário, mas um campo de forças no qual repressão, medo e afetos se entrelaçam sob a lógica brutal da ditadura.


Wagner Moura E A Pedagogia Do Corpo

A interpretação de Wagner Moura como professor universitário que retorna à cidade natal para reencontrar o filho sob risco de perseguição política é menos um papel e mais uma tradução física da história. Seu corpo carrega o peso da clandestinidade, da vigilância e da perda, transformando o drama individual em alegoria nacional.

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ElementoFunção dramáticaSignificado histórico
Professor universitárioProtagonistaIntelectual sob vigilância
Recife dos anos 1970EspaçoTerritório militarizado
Filho caçulaVínculoFuturo ameaçado
DitaduraContextoEstado de exceção

Do Cinema Novo ao Cinema Global

A vitória ecoa um arco histórico que vai de Glauber Rocha a Walter Salles e agora a Kleber Mendonça Filho. Em 1999, ‘Central do Brasil’ conquistou o Globo de Ouro ao falar da exclusão social brasileira. Em 2026, ‘O Agente Secreto’ triunfa ao confrontar o trauma político que ainda estrutura o país.

Não é casual que essa consagração ocorra num momento em que autoritarismos ressurgem pelo mundo. O filme brasileiro funciona como um espelho incômodo para plateias que voltam a flertar com o esquecimento histórico.


Jovens Câmeras Contra O Silêncio

O discurso de Kleber Mendonça Filho, ao dedicar o prêmio aos jovens cineastas, aponta para uma verdade estrutural: hoje, um telefone celular pode ser uma arma estética contra a amnésia coletiva. Quando ele diz que “falando da nossa casa todo mundo ouve ao redor do mundo”, descreve o mecanismo mais poderoso do cinema contemporâneo: o local como linguagem universal.


Por que essa vitória é politicamente relevante?

Porque consagra internacionalmente uma obra que enfrenta a ditadura brasileira sem neutralidade estética, recolocando a memória do autoritarismo no centro do debate cultural global num momento de regressão democrática.


JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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