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O fantasma que saiu do armário: Wagner Moura disseca a herança maldita de Bolsonaro no “The Daily Show”

Por JR Vital Analista Geopolítico

A arte, quando dotada de consciência histórica, não se limita a entreter; ela serve como o espelho onde uma nação é obrigada a encarar suas próprias cicatrizes. Wagner Moura, em uma participação fulminante no programa americano The Daily Show nesta sexta-feira, elevou o debate sobre o Brasil a um patamar que a diplomacia de gabinete muitas vezes evita. Ao comentar o sucesso de “O Agente Secreto”, longa de Kleber Mendonça Filho que acaba de conquistar dois Globos de Ouro, Moura foi cirúrgico: a eleição do golpista Jair Bolsonaro em 2018 não foi um acidente, mas a “manifestação física dos ecos da ditadura” que nunca foram devidamente silenciados por um acerto de contas com o passado.

A tese de Moura é um soco no estômago da amnésia coletiva brasileira. Para o ator, a transição democrática de 1985 foi uma obra inacabada, um teatro de sombras onde os torturadores foram poupados pela Lei da Anistia de 1979. Essa “anistia de conveniência”, segundo ele, foi o útero que gestou a figura política de Bolsonaro, permitindo que valores autoritários fossem ressuscitados no século 21 sob o manto do processo eleitoral. Sem o apagamento sistemático da memória, um defensor da tortura jamais teria cruzado o umbral do Palácio do Planalto — teria sido, antes, um réu confesso nos tribunais da história.

A prisão do golpista e a pedagogia da memória

A conversa com o apresentador Jordan Klepper não foi apenas um exercício de nostalgia política, mas uma celebração da justiça tardia. Moura destacou que o Brasil finalmente começa a alinhar seus ponteiros com a ética ao encarcerar aqueles que atentaram contra a democracia. “Bolsonaro ele mesmo está agora preso”, lembrou o ator, sublinhando que este é o marco zero para uma nova fase da juventude brasileira, uma geração que agora pode ver que o crime contra a liberdade tem, sim, um custo. A prisão do ex-presidente é, na visão de Wagner, o remédio para o veneno da impunidade que infectou a política nacional por décadas.

O diagnóstico da amnésia institucional

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  • A Lei da Anistia como Vilã: Para o ator, o perdão aos torturadores criou um vácuo moral que possibilitou a ascensão da extrema direita.
  • Arte como Reação: “O Agente Secreto” nasceu da perplexidade de artistas diante do retorno de valores fascistas ao cotidiano brasileiro entre 2018 e 2022.
  • O Valor da Punição: A responsabilização dos golpistas é vista como a única forma de garantir que o passado não se repita como farsa trágica.

O paralelo com a situação global é inevitável. Enquanto Roger Waters denuncia a plutocracia americana, Wagner Moura expõe a fragilidade das democracias que não têm coragem de lidar com seus monstros. Bolsonaro, no diagnóstico de Moura, é o “cadáver que esqueceu de apodrecer”, alimentando-se do silêncio de uma sociedade que foi induzida a esquecer o horror da caserna. A franqueza do ator no horário nobre da TV americana ressoa como um alerta: o fascismo é uma planta que cresce no escuro do esquecimento; a luz do julgamento é o único herbicida eficaz.

Abaixo, a linha do tempo que conecta o passado traumático ao presente de acerto de contas, conforme a análise do intérprete de “O Agente Secreto”.

Período HistóricoEvento ChaveConsequência na Memória
1979Lei da AnistiaImpunidade a torturadores e apagamento institucional.
1985Fim “formal” da DitaduraManutenção de ecos autoritários nas instituições.
2018Eleição de BolsonaroManifestação física do ressentimento e do fascismo.
2023-2026Prisão de GolpistasInício do alinhamento ético e pedagógico do Brasil.

Moura encerrou sua reflexão deixando claro que a luta pela democracia não termina na urna, mas na manutenção vigilante da memória. Sem justiça, a liberdade é apenas um intervalo entre dois golpes. Ao expor Bolsonaro como o subproduto de uma lei que “fez as pessoas esquecerem o quão ruim foi a ditadura”, Wagner Moura presta um serviço maior que sua própria obra cinematográfica: ele ajuda o Brasil a finalmente enterrar seus mortos e a manter seus algozes onde eles sempre deveriam ter estado — atrás das grades e nos rodapés infames da história.

Foram citados nesta notícia: Wagner Moura, Jair Bolsonaro, Kleber Mendonça Filho, Jordan Klepper, The Daily Show, Globo de Ouro.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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