O Rio se prepara para entrar em estado de festa — e de operação. A Prefeitura, por meio da Riotur, apresentou nesta quinta-feira (15) o plano operacional do Carnaval de Rua 2026, que começa neste fim de semana e se estende até 22 de fevereiro. Os números confirmam a escala: 460 desfiles de blocos, mais de seis milhões de foliões e uma cidade que precisará funcionar em compasso de samba.
A programação é extensa e descentralizada. Blocos tradicionais, megablocos e cortejos de menor porte se espalham por todas as regiões, reafirmando o Carnaval como o evento mais democrático do calendário urbano. O plano foi apresentado no Centro de Operações Rio, onde a cidade passa a ser observada em tempo real.
“O Carnaval de Rua é uma operação integrada”, resumiu Bernardo Fellows, presidente da Riotur. Organização, segurança e respeito à cidade viram palavras-chave quando a alegria ocupa o asfalto.
A festa que exige engenharia urbana
Não existe espontaneidade sem estrutura. Para garantir mobilidade e segurança viária, a CET-Rio colocará nas ruas uma força de 320 operadores de trânsito, apoiados por 30 viaturas, 45 motocicletas e 24 reboques. Serão 2.500 cones e bombonas, 900 galhardetes e faixas informativas, além de 36 painéis eletrônicos orientando desvios.
Onze megablocos desfilam no Circuito Preta Gil, na Avenida Presidente Antônio Carlos, com esquema já consolidado. A orientação é direta: planejar deslocamentos e priorizar o transporte público. Carnaval também é disciplina coletiva.
O olho da cidade não pisca
O Centro de Operações e Resiliência do Rio assume papel central. Cerca de 500 operadores de 50 órgãos monitorarão os blocos por meio de quase 4.000 câmeras espalhadas pela cidade, reforçadas por três drones. As imagens alimentam o maior videowall da América Latina: 104 metros quadrados de vigilância urbana em tempo real.
Riotur, CET-Rio, Guarda Municipal, Seop, Saúde, Comlurb, além da Polícia Militar, Bombeiros e concessionárias, atuam de forma integrada. As interdições também estarão disponíveis no Waze, parceiro do COR-Rio. Informação vira ferramenta de fluidez.
Ordem pública no meio da multidão
A Secretaria de Ordem Pública e a Guarda Municipal mobilizarão cerca de 1.100 agentes, com 70 viaturas, em ações que vão da fiscalização do comércio irregular à apreensão de garrafas de vidro. O objetivo é claro: reduzir riscos, coibir delitos e permitir que a cidade volte a respirar logo após a dispersão dos blocos.
Há atenção especial ao trânsito, às estações do BRT, à Ronda Maria da Penha nos megablocos e à proteção de crianças, com distribuição de pulseiras de identificação nos blocos infantis.
Saúde no ritmo da folia
A Secretaria Municipal de Saúde montou sete postos médicos nas áreas de maior concentração: Centro, Aterro do Flamengo, Copacabana, Ipanema/Leblon, Jardim Botânico e Barra da Tijuca. Ao todo, serão 36 leitos, 42 poltronas de hidratação e 566 plantões de profissionais ao longo do período carnavalesco.
Ambulâncias avançadas garantirão a transferência de casos graves. Hospitais terão plantões reforçados. Haverá ações de prevenção, distribuição de preservativos, orientação sobre ISTs e oferta de PrEP e PEP. O recado é simples: alegria também pede cuidado.
Limpeza como política pública
A Comlurb entra em campo com uma das maiores operações de sua história. Serão 13.714 trabalhadores, 13 mil contêineres e 1.507 veículos atuando em três turnos. Após cada bloco, lavagem hidráulica com água de reuso, sabão e essência de eucalipto.
Limpar o Carnaval é devolver a cidade ao dia seguinte. Sem isso, a festa vira abandono.
Carnaval + Seguro para Mulheres
A Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres e Cuidados reforça a presença do poder público onde a cidade pulsa. Postos fixos de atendimento funcionarão na Sapucaí, Intendente Magalhães e Fan Fest de Copacabana. Equipes móveis circularão pelos blocos com acolhimento, orientação e encaminhamento em casos de assédio ou violência.
A campanha “Carnaval + Seguro para Mulheres” estará nos banheiros, nos materiais informativos e no acesso digital à plataforma mulher.rio. Nenhuma violência é folclore. Nenhuma denúncia é exagero.
A anatomia de um Carnaval gigante
| Eixo | Estrutura mobilizada |
|---|---|
| Blocos de rua | 460 desfiles |
| Público estimado | Mais de 6 milhões de foliões |
| Trânsito | 320 operadores, 36 painéis eletrônicos |
| Monitoramento | 4.000 câmeras, drones, videowall do COR |
| Ordem pública | 1.100 agentes |
| Saúde | 7 postos, 36 leitos, 566 plantões |
| Limpeza urbana | 13.714 trabalhadores, 13 mil contêineres |
| Proteção às mulheres | Postos fixos e equipes móveis especializadas |
Os números impressionam, mas o que eles revelam é mais profundo. O Carnaval do Rio não é apenas festa. É teste de capacidade institucional. É pacto temporário entre caos e ordem. Quando funciona, a cidade mostra que sabe ser grande sem perder o sorriso.
O samba passa. A responsabilidade fica. E o Rio, mais uma vez, aposta que dá para dançar sem cair





