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Números Assustadores

O Massacre Silencioso: Rio de Janeiro registra mais de 71 Mil vítimas de violência doméstica em 2025

Em meio ao recesso Judiciário, Tribunal de Justiça tenta conter a onda de agressões que historicamente explode durante as festas de fim de ano

Por JR Vital Analista Geopolítico
Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro encerra 2025 sob o peso de uma estatística que é, ao mesmo tempo, um grito de socorro e um atestado de falência civilizatória.

De janeiro a novembro, nada menos que 71.762 mulheres buscaram o sistema de Justiça para denunciar agressões domésticas.

O número, por si só estarrecedor, carrega um presságio sombrio: a tendência histórica de aumento exponencial desses casos durante as festas de fim de ano, período em que o convívio forçado e o consumo de álcool muitas vezes servem de gatilho para o machismo estrutural mais abjeto.

Para enfrentar este cenário de guerra doméstica, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) precisou blindar suas estruturas de acolhimento. Mesmo com o recesso judiciário — que se estende até 6 de janeiro — o regime de plantão foi reforçado para garantir que a resposta estatal não seja interrompida enquanto o agressor se sente, ironicamente, “em casa”.

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A Medida Protetiva como Escudo Contra o Retrocesso

A desembargadora Adriana Ramos de Mello, à frente da Coem, é enfática: a violência contra a mulher não é um imbróglio privado, mas uma chaga de direitos humanos.

O Observatório de Violência do Rio alerta que a medida protetiva não deve ser vista apenas como um recurso pós-agressão física, mas como uma barreira necessária contra o controle patrimonial, a ameaça psicológica e o estupro marital.

Em um estado que ainda luta contra a herança de uma cultura patriarcal violenta, o uso da tecnologia surge como uma ferramenta de soberania individual.

O aplicativo Maria da Penha Virtual permite que a vítima solicite socorro e proteção sem o risco de ser interceptada pelo agressor no caminho de uma delegacia.


Guia de Sobrevivência e Resistência: Canais de Emergência

ServiçoContato / FunçãoDisponibilidade
Polícia Militar190 (Urgência e Flagrante)24 Horas
Central da Mulher180 (Denúncia e Orientação)24 Horas
Polícia Civil197 ou Registro OnlinePermanente
Maria da Penha VirtualApp para Medidas ProtetivasDigital / Imediato
CejuvidaAbrigamento Provisório SigilosoVia TJRJ

Para Além do Plantão Judiciário

O Diário Carioca vê nestes 71 mil casos a materialização do fascismo cotidiano. Cada mulher agredida é uma falha na construção da nossa democracia. Embora as estruturas de acolhimento do TJRJ, como o Projeto Violeta, sejam louváveis e necessárias para estancar o sangue, elas ainda são remediadoras.

O combate firme a esse retrocesso exige que as políticas públicas avancem para o coração das comunidades, desconstruindo o imaginário do “homem proprietário” que o bolsonarismo e o conservadorismo radical tentaram normalizar nos últimos anos.

A justiça social para a mulher carioca não se faz apenas com plantão judiciário, mas com autonomia financeira, educação libertadora e a certeza de que o Estado será mais forte que o punho do agressor. O recesso pode existir para os juízes, mas a luta pela vida das mulheres não admite pausas.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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