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Bola em risco

Medida de Trump que suspende vistos ameaça transformar Copa do Mundo em evento de exclusão

Por JR Vital Analista Geopolítico

A diplomacia da bola acaba de sofrer um carrinho criminoso vindo do Salão Oval. Em uma manobra que mistura protecionismo tacanho e xenofobia institucional, o governo Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (14) a suspensão do processamento de vistos de imigração para 75 países, colocando o Brasil no mesmo balaio de nações sob embargo e conflito, como Rússia, Irã e Somália. A decisão, confirmada pelo Departamento de Estado, utiliza a proximidade da Copa do Mundo de 2026 como pano de fundo para uma “limpeza” migratória sob o pretexto de impedir que estrangeiros acessem o sistema de bem-estar social estadunidense.

O porta-voz Tommy Pigott e a secretária de imprensa Karoline Leavitt não economizaram na retórica segregacionista: a ideia é barrar qualquer um que não se enquadre no perfil de “visitante lucrativo”. Embora a suspensão foque em vistos de imigração (residência permanente), o clima para os torcedores brasileiros que planejam ver a Seleção em 2026 é de apreensão. Washington já avisou que vai vasculhar as redes sociais de cada solicitante de visto de turismo (B1/B2). No Diário Carioca, a leitura é de que a estátua da liberdade foi substituída por um algoritmo de vigilância ideológica que pune nacionalidades inteiras pelo “crime” de buscar um futuro na terra que se dizia a casa da liberdade.

Para o Brasil e o Uruguai — as únicas potências sul-americanas atingidas nesta lista negra — o recado é amargo. Enquanto a FIFA e o México tentam manter o espírito festivo do torneio, os EUA de Trump preferem erguer um muro burocrático. A “Navalha Carioca” questiona: que tipo de “Copa para Todos” é essa, onde o torcedor é tratado como suspeito e o imigrante como praga? A final no MetLife Stadium corre o risco de ser um espetáculo para poucos, sob a sombra de um governo que vê no passaporte alheio uma ameaça aos seus cofres.

A Lista da Exclusão: O Brasil no “Eixo dos Indesejados”

A administração Trump não faz distinção diplomática ao suspender os vistos de imigração, unindo aliados e adversários em um único bloqueio:

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Impacto da MedidaDetalhes Técnicos (Jan/2026)Status para a Copa do Mundo
Vistos de ImigraçãoSuspensão Total para 75 países.Afeta atletas e técnicos que buscam residência.
Vistos de Turismo (B1/B2)Mantidos, mas com análise de redes sociais.Vigilância rigorosa e filas de espera longas.
Público-AlvoBrasil, Uruguai, Colômbia, Nigéria, etc.Países com tradição em futebol e imigração.
Justificativa OficialProteção de programas de assistência social.Retórica de “não-exploração” do sistema.
ExceçõesSomente casos emergenciais ou humanitários.Programa FIFA PASS previsto para breve.

A “Navalha Carioca” sobre o Apartheid da Bola

A inclusão do Brasil nesta lista é um tapa na cara da diplomacia de submissão. Trump prova que, para o seu projeto de poder, não existem “parceiros estratégicos” no Sul Global, apenas potenciais “encargos” para o seu sistema público. Suspender vistos de imigração às vésperas de um evento que deveria celebrar a união dos povos é o ápice da hipocrisia. Enquanto a Coca-Cola e o McDonald’s lucram com o marketing da Copa, o governo que sedia o evento trata o torcedor desses 75 países como um invasor em potencial. Se você pretende ir aos EUA em 2026, prepare-se: além do ingresso, você terá que entregar sua privacidade e sua dignidade na porta do consulado.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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