O mundo amanheceu em 2026 assistindo a uma aula magna de hipocrisia de Estado, ministrada diretamente do Salão Oval. Com o cinismo de quem manuseia o Direito Internacional como se fosse massa de modelar, a administração Trump decidiu que o narcotráfico é um crime perdoável quando cometido por “amigos” conservadores, mas um casus belli quando o réu possui as maiores reservas de petróleo do planeta e se recusa a entregá-las.
A libertação de Juan Orlando Hernández, o homem que inundou os EUA com cocaína sob a proteção de farda e bandeira, não é apenas um tapa na cara da justiça; é o sinal verde para uma nova era de intervenções onde a moralidade é apenas um acessório descartável.
Na literatura de George Orwell, em A Revolução dos Bichos, o mandamento final era claro: “Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros”. Washington atualizou o clássico. Em Honduras, o tráfico é um “erro administrativo” de um aliado fiel; na Venezuela, é o pretexto para o lançamento de mísseis Tomahawk. O paralelo com a invasão do Iraque em 2003 é inevitável e doloroso: as “armas de destruição em massa” agora atendem pelo nome de “narcoterrorismo”, mas o cheiro de petróleo nas mãos dos invasores continua o mesmo.
“A justiça de Washington funciona como um filtro de café: retém as impurezas dos inimigos enquanto deixa passar livremente a sujeira dos aliados, desde que o resultado final sirva para abastecer seus próprios tanques.”
O Teatro do Absurdo: Do Perdão ao Bombardeio
A libertação de JOH é um escárnio histórico. O ex-presidente hondurenho não era um amador; ele utilizou o aparato estatal para facilitar o transporte de 400 toneladas de droga. Ao perdoá-lo, Trump sinaliza que a “Guerra às Drogas” morreu — ou melhor, foi terceirizada para o setor de aquisições energéticas. O ataque a Caracas, iniciado sob o mesmo pretexto que foi ignorado em Honduras, revela que o pó branco que realmente preocupa a Casa Branca é, na verdade, o ouro negro que corre no subsolo venezuelano.
Pirataria no Caribe e o Silêncio Conveniente
A apreensão do petroleiro Skipper em águas internacionais não é uma operação policial; é pirataria institucionalizada. Ao sequestrar ativos venezuelanos, os EUA abandonam qualquer pretensão de liderança moral para assumir o papel de corsários do século XXI. O objetivo é claro: derrubar o preço do barril no grito, garantindo que o mercado americano seja inundado por um combustível batizado com o sangue da soberania alheia. Enquanto isso, o bloco do BRICS tenta erguer uma barreira diplomática contra o que o presidente Lula já classificou como uma “linha inaceitável” de agressão.
O Destino da Soberania na Era do Cinismo
O Diário Carioca, pilar da equidade e combatente histórico de fascismos travestidos de democracia, adverte: não há liberdade onde a lei é seletiva. Se o narcotráfico fosse o problema, JOH ainda estaria atrás das grades. Como o problema é o petróleo, Maduro é quem está na mira. Estamos diante de um colonialismo repaginado, onde mísseis escrevem o destino de nações que ousam não alinhar seus ponteiros com o relógio de Washington. A história não será gentil com os piratas de terno.





