quarta-feira, janeiro 21, 2026
22 C
Rio de Janeiro
InícioArtesMídia AudiovisualLula e Janja celebram a reconquista do cinema brasileiro no Globo De Ouro
Orgulho Brasileiro

Lula e Janja celebram a reconquista do cinema brasileiro no Globo De Ouro

Por JR Vital Analista Geopolítico

OS FATOS:

  • O filme O Agente Secreto venceu o Globo de Ouro de melhor filme em língua não inglesa em 11 de janeiro de 2026.
  • Wagner Moura conquistou o prêmio de melhor ator em filme de drama, tornando-se o primeiro brasileiro a vencer nessa categoria.
  • Lula e Janja da Silva celebraram publicamente o feito, vinculando-o à memória histórica da ditadura e à retomada da cultura nacional.

A Política Da Memória Como Estética De Resistência

Há vitórias que ultrapassam o tapete vermelho e se inscrevem na longa duração da história. O triunfo de O Agente Secreto no Globo de Ouro não pertence apenas à filmografia de Kleber Mendonça Filho, mas ao arquivo simbólico de um país que insiste em disputar a própria narrativa. Num Brasil marcado por tentativas reiteradas de apagamento da violência ditatorial, a consagração internacional de um filme que tematiza a repressão política opera como um ato de reparação estética e política.

Quando Lula escreve que o longa é “essencial para não deixar cair no esquecimento a violência da ditadura e a capacidade de resistência do povo brasileiro”, o presidente não faz um gesto protocolar de celebração cultural. Ele reinscreve o cinema na tradição gramsciana da disputa pela hegemonia: quem controla as imagens controla, em larga medida, o imaginário social. A cultura, aqui, deixa de ser ornamento e retorna ao seu estatuto de campo de batalha.

Wagner Moura E A Internacionalização Do Sujeito Brasileiro

A vitória de Wagner Moura como melhor ator em filme de drama inaugura uma nova gramática para a presença brasileira na indústria audiovisual global. Não se trata apenas de reconhecimento individual, mas da legitimação de um tipo de intérprete que carrega consigo a densidade política do Sul Global. Moura não vence apesar de sua brasilidade; ele vence por meio dela, encarnando personagens que traduzem conflitos históricos e sociais que Hollywood, em geral, prefere exotizar ou silenciar.

- Advertisement -

Janja, ao afirmar que “o Brasil te ama e tem orgulho de você”, mobiliza uma retórica afetiva que, longe de ser ingênua, aponta para a reconstrução de um pacto simbólico entre Estado, artistas e sociedade. Depois de anos em que o setor cultural foi tratado como inimigo interno por governos de feição autoritária, a imagem da primeira-dama ao lado do ator no Palácio da Alvorada funciona como um gesto de reintegração institucional.

O Brasil No Mapa Da Memória Cinematográfica

A última vez que um filme brasileiro havia vencido o Globo de Ouro de melhor filme em língua não inglesa fora em 1999, com Central do Brasil. Entre aquele momento e o presente, o país atravessou ciclos de expansão democrática, colapso institucional e regressão autoritária. O retorno ao pódio, agora com duas estatuetas na mesma noite, não é casual; ele espelha a reabertura do Brasil ao mundo após o isolamento diplomático e cultural dos anos de bolsonarismo.

EdiçãoFilme BrasileiroCategoriaResultado
1999Central do BrasilMelhor filme em língua não inglesaVitória
2025Melhor atrizFernanda Torres venceu
2026O Agente SecretoMelhor filme em língua não inglesaVitória
2026O Agente SecretoMelhor ator em dramaWagner Moura venceu

A tabela revela uma inflexão histórica: o Brasil deixa de ser exceção episódica e passa a se configurar como presença contínua e relevante no circuito de premiações globais.

Cinema, Estado E Soberania Cultural

A celebração de Lula e Janja não pode ser dissociada de uma política cultural que recoloca o Estado como indutor da produção simbólica. Em um mundo em que as plataformas de streaming e os conglomerados midiáticos operam como vetores de uma homogeneização neoliberal do imaginário, a vitória de um filme brasileiro, falado em português e ancorado em nossa história, representa um gesto de soberania.

O Agente Secreto não venceu por ser “exótico”, mas por articular linguagem cinematográfica sofisticada e densidade política. Essa combinação desafia a lógica colonial que espera do Sul apenas folclore ou violência estetizada. Aqui, a violência é historicizada, e a estética é arma.

Por que as vitórias de O Agente Secreto têm impacto político além do cinema?

Porque elas recolocam o Brasil na disputa global pelo sentido da história, demonstrando que a memória da ditadura e a produção cultural crítica podem ocupar o centro do palco internacional sem mediação colonial.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

Parimatch_Cassino_onlineParimatch_Cassino_onlineParimatch_Cassino_onlineParimatch_Cassino_online

Mais Notícias

Em Alta:

Mais Lidas