A voz de Roger Waters sempre foi o pesadelo dos que tentam embalar a opressão em papel de presente democrático. Recentemente, o músico britânico, que transformou palcos em tribunais geopolíticos, deu nome ao que muitos analistas convencionais insistem em ignorar sob o manto do pragmatismo: os Estados Unidos deixaram de ser uma democracia para se tornarem um leilão de cargos. Waters foi cirúrgico ao afirmar que “você pode comprar a presidência”, sintetizando a erosão de um sistema onde o voto popular é frequentemente atropelado pelo peso do dólar e pelo financiamento de grupos de interesse.
O músico não se limitou ao conceito abstrato. Ele apontou o dedo para Donald Trump, afirmando que a ascensão ao poder foi pavimentada pelo dinheiro do AIPAC (American Israel Public Affairs Committee), pela fortuna de oligarcas e pelo volume astronômico de doadores corporativos. Waters ressaltou que “o fato de ser permitido despejar milhões e milhões na política torna impossível que ela seja democrática”. Para o artista, a política em Washington não é decidida em urnas, mas em fundos de investimento e reuniões a portas fechadas no Capitólio. A análise de Waters não é apenas estética; é uma constatação de quem observa o império financiar o massacre em Gaza enquanto vende internamente a ilusão de liberdade para uma classe trabalhadora cada vez mais endividada.
O “Conselho da Paz” e a validação da tese de Waters
A recente movimentação de Donald Trump, ao exigir US$ 1 bilhão por um assento em seu conselho internacional, é a prova material da denúncia de Waters. Se a paz mundial tem um preço de etiqueta, a presidência da maior potência do planeta não passaria de um item de catálogo para bilionários e lobistas da região Ásia-Pacífico e do Oriente Médio. O músico, que já havia denunciado o fascismo de Jair Bolsonaro e o intervencionismo imperial, vê agora o sistema americano expor suas vísceras: um modelo onde o direito internacional é substituído pelo estatuto de um clube de investidores, financiado por quem pode “despejar milhões” para moldar a narrativa global.
A anatomia da plutocracia segundo Waters
- A Compra do Poder: O sistema de financiamento de campanha transformou candidatos em representantes de interesses do AIPAC e de oligarcas.
- O Mito da Democracia: Para Waters, as instituições servem para legitimar a agressão imperialista sob uma falsa fachada de justiça.
- O Papel do Dinheiro: Como em sua obra Animals, o músico vê os “porcos” no topo da pirâmide decidindo o destino das “ovelhas” através do controle do capital.
A seletividade democrática e o fantasma da Venezuela
A ironia final do sistema americano, conforme sugerido pela crítica de Waters, reside na audácia de Washington em questionar a validade das eleições na Venezuela enquanto o seu próprio processo é refém do capital privado. O império que permite a “compra da presidência” por oligarcas e lobbies estrangeiros é o mesmo que aplica sanções e tenta deslegitimar pleitos alheios sob o pretexto de defesa da democracia. Para Waters, essa seletividade é a ferramenta máxima do imperialismo: exigir transparência dos vizinhos enquanto asfixia a própria representatividade interna com montanhas de dinheiro que inviabilizam qualquer alternativa popular.
O silêncio ou a irritação da imprensa hegemônica diante das falas de Waters apenas confirmam sua precisão. Onde o sistema vê um artista “polêmico”, o povo vê um tradutor da verdade. A presidência dos Estados Unidos, ao que tudo indica, não se conquista apenas com propostas, mas com a capacidade de satisfazer os algoritmos do capital. Roger Waters, com a autoridade de quem escreveu o roteiro da alienação moderna, apenas acendeu a luz para mostrar que o imperador não apenas está nu, como também está à venda pelo maior lance na prateleira das corporações.
Foram citados nesta notícia: Roger Waters, Donald Trump, AIPAC, Ásia-Pacífico, Venezuela, Casa Branca, Itamaraty, ONU.





