Na cartografia afetiva e política do Rio de Janeiro, Madureira e Oswaldo Cruz permanecem como bastiões de uma resistência intelectual que a academia tradicional insiste em marginalizar. A formatura de 250 jovens no projeto “Águia Ensina” não é meramente um evento festivo, mas um ato de soberania cultural. Ao fundir a estética do Carnaval com as diretrizes da “Carta à Terra” e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, a escola mirim da Portela subverte a lógica do assistencialismo barato para entregar formação técnica e consciência crítica. Em um mundo onde a sustentabilidade é frequentemente reduzida a um greenwashing corporativo, a Filhos da Águia ensina que a preservação do planeta é indissociável da preservação das raízes populares.
OS FATOS:
- Celebração de formatura de 250 alunos das oficinas culturais gratuitas no dia 18 de janeiro de 2026.
- O projeto “Águia Ensina”, patrocinado via Lei do ISS, ofereceu capacitação em percussão, adereços, corte e costura e fotografia.
- O evento na quadra da Portela marca o lançamento oficial do enredo “Carta à Terra” para o Carnaval 2026.
O voo da consciência entre a agulha e o tambor
A pedagogia do samba, historicamente negligenciada pelos currículos eurocêntricos, prova mais uma vez sua eficácia na construção de sujeitos integrais. Sob a presidência de Celso Soares, a Filhos da Águia transcende o papel de “escola mirim” para atuar como uma universidade do asfalto. As oficinas de corte, costura e adereços, por exemplo, não preparam apenas para o desfile; elas oferecem as ferramentas de subsistência em uma economia que insiste em empurrar a juventude periférica para a precarização.
Ao adotar a “Carta à Terra” como bússola para 2026, a agremiação apadrinhada por Marisa Monte e Paulinho da Viola estabelece um paralelo direto com o legado de Paulo da Portela: a elegância como forma de luta e o conhecimento como escudo.
Enquanto o Estado muitas vezes chega às comunidades apenas pelo braço armado, a Portela chega pela mão que ensina a fotografar a própria realidade e a costurar a própria dignidade. O show da Velha Guarda, que encerra o evento, não é apenas música, é a transmissão oral de uma tradição que se recusa a morrer sob o rolo compressor da homogeneização cultural globalista.
Estrutura Formativa e Impacto Social (Ciclo 2025-2026)
| Oficina | Público-Alvo | Foco Pedagógico | Impacto Territorial |
| Percussão e Canto | 8 a 17 anos | Teoria musical e patrimônio imaterial | Preservação do ritmo portelense |
| Corte e Costura | A partir de 18 anos | Capacitação profissional e figurino | Geração de renda local |
| Fotografia | 12 a 17 anos | Alfabetização visual e narrativa social | Registro da memória comunitária |
| Confecção de Adereços | A partir de 14 anos | Reutilização de materiais (SDGs) | Consciência ecológica aplicada |
O amanhã que se tece hoje
A verdadeira sustentabilidade do samba reside na capacidade de renovar seus quadros sem perder a essência. A inclusão de oficinas de capacitação profissional para adultos nesta edição do projeto demonstra uma visão holística: não se protege a criança se o entorno familiar está desamparado.
A Filhos da Águia entende que o desfile na Marquês de Sapucaí é apenas o exame final de um processo que dura o ano inteiro e que tem como principal prêmio a formação de cidadãos conscientes de seu papel na proteção da “casa comum”.
Qual a relevância pedagógica de alinhar as escolas mirins aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU?
Ao integrar as ODS e a “Carta à Terra” ao cotidiano das oficinas, a escola mirim retira esses conceitos do plano abstrato das conferências internacionais e os traz para a prática material (uso de recicláveis, respeito à diversidade, equidade de gênero). Isso transforma o jovem sambista em um agente global de transformação, unindo a tradição ancestral do terreiro à urgência das pautas climáticas e sociais contemporâneas.
Programação:
13:30 Abertura dos portões
14:00 Apresentação dos protótipos
14:30 Show Apresentação Filhos da Águia
15:15 Apresentação do projeto
16:30 Show Velha Guarda da Portela
18H Encerramento
Serviço:
Local: Quadra da Portela – Rua Clara Nunes, 81 – Madureira, Rio de Janeiro (RJ)
Data: 18 de janeiro de 2026 (domingo)
Horário: A partir das 13h
Entrada gratuita





