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Burocracia Segregadora

A UERJ de elite: Vinicios Betiol denuncia o vestibular que exclui o povo através da burocracia

Por Vanessa Neves Analista Política

O vestibular da UERJ, historicamente vendido como um bastião das cotas e da inclusão, acaba de ter sua máscara de progressismo arrancada. O pesquisador Vinicios Betiol trouxe a público, nesta tarde de sábado, um cenário de segregação institucionalizada.

Enquanto a universidade celebra os novos aprovados, um exército de jovens talentos da rede pública sequer conseguiu cruzar a linha de largada.

https://twitter.com/vinicios_betiol/status/2012574451389333781

O motivo? Uma barreira financeira disfarçada de rigor burocrático, desenhada cirurgicamente para manter os “indesejáveis” do lado de fora dos muros da Rua São Francisco Xavier.

Betiol revela que, embora mais da metade de seus alunos de escola pública tenham sido aprovados, o número poderia ser exponencialmente maior se a gestão não criasse “empecilhos intransponíveis” no processo de isenção de taxa.

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Na prática, a universidade opera um sistema de filtragem socioeconômica: quem não tem dinheiro para pagar a inscrição é sufocado por exigências documentais kafkianas.

Exigir contracheques de pais ausentes, que abandonaram o lar e não pagam pensão, não é um erro administrativo; é uma tática de exclusão deliberada contra a estrutura familiar da periferia.

A meritocracia da trança e o cinismo da gestão

O relato de Betiol humaniza a tragédia estatística. Ele cita o caso de uma aluna que, para conseguir prestar o exame, precisou trabalhar incansavelmente fazendo tranças para juntar o valor da inscrição. É a perversão máxima do conceito de mérito: enquanto o aluno da classe média alta recebe a inscrição paga pelos pais como um detalhe burocrático, o aluno da escola pública precisa converter o seu suor em moedas para ter o “direito” de ser avaliado. A gestão da UERJ, ao ignorar essas realidades, flerta com um elitismo que envergonha a história de uma instituição que deveria ser o coração do Rio popular.

Por que uma universidade estadual criaria tantas dificuldades para conceder isenções? A resposta curta é que a arrecadação das taxas parece pesar mais que o compromisso social. A resposta longa é o fetiche pela “classe média” que ainda domina as instâncias de poder acadêmico. Ao exigir documentos impossíveis, a UERJ seleciona não os mais inteligentes, mas os que possuem estruturas familiares burocraticamente estáveis — um privilégio que a desigualdade brasileira nega à maioria dos moradores de favelas e periferias.

O vestibular 2026 e a urgência de uma reforma humanista

A denúncia de Betiol é um chamado às armas para que a UERJ repense seus métodos antes do próximo ciclo. Não basta ter cotas se a porta de entrada está trancada por dentro. O “mimimi” meritocrático daqueles que defendem taxas altas para “custear o processo” ignora que o custo social de excluir 150 potenciais aprovados de uma única rede de ensino é infinitamente superior a qualquer prejuízo orçamentário. O golpista Jair Bolsonaro e seus aliados sempre tentaram asfixiar a universidade pública por fora; é trágico ver que a própria gestão da UERJ o faz por dentro, através da exclusão financeira.

A universidade pública é um patrimônio do povo, financiada pelo ICMS de cada produto que o pobre consome no mercado. Impedir que o filho do trabalhador acesse esse espaço através de manobras documentais é uma forma de estelionato social. O Diário Carioca se soma à voz dos estudantes que desejam apenas o direito de provar sua capacidade. Se a UERJ quer ser verdadeiramente progressista, ela deve começar por simplificar a vida de quem já tem a vida complicada pela negligência do Estado.

Barreiras DenunciadasExigência da GestãoRealidade do Estudante de Escola PúblicaConsequência Direta
Documentação de RendaComprovação de renda de pais ausentes.Pais que sumiram e não pagam pensão.Indeferimento automático da isenção.
Taxa de InscriçãoValor fixo sem flexibilidade real.Necessidade de trabalho informal (tranças) para pagar.Exclusão de candidatos com alto potencial.
Processo de IsençãoBurocracia excessiva e intimidatória.Falta de suporte técnico e jurídico.Desistência antes mesmo da prova.
Acesso GeográficoPrazos rígidos e centralizados.Dificuldade de deslocamento e internet.Perda de prazos fundamentais.

Os Contrastes

  • Inclusão no Papel vs. Exclusão na Prática: A UERJ exibe a bandeira das cotas enquanto esconde a fatura da taxa de inscrição.
  • Educação vs. Arrecadação: O objetivo deveria ser formar quadros técnicos do povo, mas a prioridade parece ser fechar o caixa das taxas.
  • Privilégio vs. Sobrevivência: O vestibular da UERJ virou uma corrida de obstáculos onde quem corre descalço ainda precisa pagar pelo uso da pista.

A denúncia de Vinicios Betiol não pode cair no vazio dos corredores da reitoria. É preciso que os órgãos de controle, a ALERJ e a própria comunidade acadêmica exijam transparência nos critérios de isenção.

Onde o Estado se omite na educação básica, a universidade deve ser a ponte, e não o muro. O Rio de Janeiro não aceita mais uma elite que se finge de povo enquanto assina os decretos que excluem a juventude negra e pobre do futuro.

Vanessa Neves

Vanessa Neves é Jornalista, editora e analista de mídias sociais do Diário Carioca. Criadora de conteúdo, editora de imagens e editora de política.

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