Brasília, 23 de julho de 2025 — O governo Trump avalia impor sanções contra Hugo Motta e Davi Alcolumbre, presidentes da Câmara e do Senado, por bloquearem pautas bolsonaristas e criticarem tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros.
Alinhamento com Lula incomoda Casa Branca trumpista
A ofensiva partiu do entorno imediato de Donald Trump, que já atua com o Departamento de Estado em represália aberta contra autoridades brasileiras que se recusam a embarcar na agenda de extrema-direita. Agora, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) são os novos alvos. Ambos têm resistido a pautas de interesse direto do ex-presidente Jair Bolsonaro — aliado pessoal de Trump — e têm demonstrado coesão com o governo Lula em temas-chave de soberania e defesa institucional.
Fontes ouvidas pelo jornalista Ricardo Cappelli, do Metrópoles, revelam que a possibilidade de sanções diplomáticas e restrições de visto está na mesa da Casa Branca trumpista. A lógica é a mesma que já resultou no cancelamento do visto do ministro Alexandre de Moraes, acusado pela ala trumpista de ser “obstáculo à liberdade” por sua atuação contra tentativas golpistas no Brasil.
Motta freia anistia e expõe o racha institucional
A ira contra Hugo Motta se acentuou após ele travar a tramitação de um projeto que concederia anistia a envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro — incluindo o próprio Bolsonaro. A proposta, bancada por parlamentares bolsonaristas com apoio informal de aliados de Trump, foi congelada pelo presidente da Câmara.
Motta também impediu o funcionamento de comissões parlamentares durante o recesso, o que travou a escalada de projetos de revanche bolsonarista contra decisões do STF. O gesto foi lido como um recado claro: não haverá espaço para manobras golpistas sob seu comando.
Alcolumbre enfrenta pressão e descarta impeachment de Moraes
No Senado, Davi Alcolumbre se tornou o principal freio às investidas contra o Judiciário. Mesmo após sucessivos pedidos de impeachment contra ministros do STF, Alcolumbre tem recusado pautar os processos — uma postura que enfurece a ala bolsonarista e seus aliados internacionais.
Na terça-feira (22), mais um pedido de afastamento de Alexandre de Moraes chegou ao Senado. Alcolumbre, porém, reafirmou a interlocutores que não há qualquer intenção de ceder à pressão, e mantém a postura de blindagem institucional.
Congresso reage a tarifas de Trump e fecha com Lula
A animosidade entre o Congresso brasileiro e a Casa Branca explodiu após o anúncio unilateral de Trump: tarifas de 50% sobre produtos brasileiros como aço, celulose e frutas. Em resposta, Motta e Alcolumbre fizeram declarações públicas de apoio ao Executivo e condenaram a medida.
Em vídeo divulgado após reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, Alcolumbre foi direto: “É uma agressão ao Brasil”. Afirmou que Câmara e Senado estão “unidos na defesa da soberania nacional” e elogiou a decisão de Lula em delegar a coordenação da resposta a Alckmin.
O gesto foi político, estratégico e, acima de tudo, simbólico: o Congresso, frequentemente fragmentado, assumiu posição firme ao lado do Executivo. Em vez de se dobrar à chantagem econômica do trumpismo, o Legislativo reafirmou sua autonomia e compromisso com os interesses nacionais.
Perguntas e Respostas
Por que Trump quer sancionar Motta e Alcolumbre?
Por alinhamento com Lula e resistência a pautas bolsonaristas, o que desagrada o governo trumpista.
Que tipo de sanção está sendo discutida?
Restrições diplomáticas e cancelamento de vistos, como ocorreu com Alexandre de Moraes.
O que motivou a insatisfação com Hugo Motta?
Ele barrou um projeto de anistia a golpistas e impediu o funcionamento de comissões no recesso.
E qual a crítica a Davi Alcolumbre?
Se recusa a pautar pedidos de impeachment contra ministros do STF, como Moraes.
Qual foi a reação do Congresso às tarifas americanas?
Unidade com o Executivo e repúdio às tarifas de 50% impostas por Trump.





