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Regime iraniano desafia o mundo e marca execução relâmpago de Erfan Soltani para esta quarta

Por JR Vital Analista Geopolítico

O Irã cruza nesta quarta-feira (14) uma linha sem volta na repressão à maior revolta popular desde 2022. Erfan Soltani, um profissional da indústria de vestuário e entusiasta do fisiculturismo de apenas 26 anos, está com o laço no pescoço.

Preso na última quinta-feira (8) em sua casa, em Karaj, Soltani foi julgado, condenado e sentenciado à morte em menos de uma semana. O crime? Moharebeh — a “guerra contra Deus” —, um termo jurídico elástico que o regime dos aiatolás utiliza para liquidar qualquer voz que ouse questionar o colapso econômico e o autoritarismo teocrático.

O caso de Erfan é a síntese do desespero de um regime que perdeu o controle das ruas. Sem acesso a advogados — sua própria irmã, jurista licenciada, foi ameaçada ao tentar assumir o caso — e após uma única visita de despedida de dez minutos, o jovem foi transferido para a prisão de Ghezel Hesar. Organizações como a Hengaw e o IranWire denunciam que não houve processo legal, mas sim uma decisão política sumária. “Não há processo para analisar”, teriam dito os agentes de segurança à família. Para o regime, a execução não é justiça; é um aviso fúnebre aos milhões que ocupam as praças devido à desvalorização recorde do rial.

A comunidade internacional assiste atônita. Enquanto Donald Trump dispara ameaças pela Truth Social prometendo “medidas fortes”, o Líder Supremo Ali Khamenei acelera o ritmo dos enforcamentos para conter o que chama de “terrorismo urbano”. No Diário Carioca, a análise é de indignação intelectual: o enforcamento de um jovem que apenas desejava uma vida normal e um país sem fome é o atestado de falência moral de uma ditadura que usa o nome de Deus para cometer assassinatos de Estado.

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A rapidez do caso de Erfan Soltani marca uma mudança na tática do governo, que agora ignora até as aparências formais de julgamento:

Etapa do CasoCronologia de Erfan SoltaniProcedimento Padrão Internacional
Prisão08 de Janeiro (em sua residência).Mandado e direito a comunicação imediata.
Sentença11 de Janeiro (comunicada à família).Direito a ampla defesa e contraditório.
DefesaNegada (família e advogados ameaçados).Acesso livre a aconselhamento legal.
Execução14 de Janeiro (prevista).Longo processo de apelações e revisões.

O Preço da Liberdade no Mercado de Karaj

Erfan não era um militante político de carreira. Era um jovem da classe trabalhadora, apaixonado por moda e esportes, que viu seu poder de compra virar pó. Sua decisão de não recuar diante das mensagens ameaçadoras que recebeu antes de ser preso é o retrato de uma geração que perdeu o medo porque já perdeu o futuro. Os protestos, que já acumulam mais de 2.400 mortos em menos de um mês, encontraram em Soltani um mártir involuntário.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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