A sanha repressiva que se tornou a marca registrada das agências federais sob o comando da nova ordem em Washington encontrou um obstáculo jurídico em Minnesota. A juíza federal Kate Menendez emitiu uma liminar que funciona como um respiradouro em meio à fumaça do gás lacrimogêneo: a partir de agora, os agentes do Departamento de Segurança Interna (DHS) estão proibidos de utilizar táticas de guerra — como munições de “controle de multidões” e detenções sem suspeita razoável — contra quem exerce o direito fundamental de protestar. A decisão não é um favor, mas uma resposta tardia ao rastro de sangue deixado pela morte de Renee Good, baleada por um agente em janeiro, transformando Minneapolis em um laboratório da resistência civil.
A morte de Renee Good não foi um incidente isolado, mas o subproduto de uma política que desumaniza o imigrante e o observador para consolidar um estado de vigilância permanente. Ao proibir prisões arbitrárias e o uso de força letal ou “menos letal” contra manifestantes pacíficos, a juíza Menendez recorda ao Executivo que a Constituição americana, embora ferida pela retórica de Donald Trump, ainda respira no papel. Contudo, o limite geográfico da decisão — restrita apenas a Minneapolis e St. Paul — revela a fragilidade do sistema: a poucos quilômetros dali, a barbárie federal continua a operar sem amarras, provando que a dignidade humana no império tornou-se uma questão de jurisdição local.
O protocolo do pânico e o limite do gás lacrimogêneo
O veto ao uso de gás lacrimogêneo e táticas de cerco contra observadores é um golpe direto no modus operandi dos agentes federais, que aprenderam a tratar jornalistas e defensores de direitos humanos como alvos militares. A liminar atende a uma ação movida contra o DHS, expondo que o governo de Washington utiliza a proteção de fronteiras como pretexto para uma repressão doméstica que ignora os direitos civis mais básicos. É a face interna do imperialismo: a mesma força que Trump quer projetar na Groenlândia ou em Gaza é utilizada para esmagar o protesto de quem chora por uma vida perdida em solo americano.
| Tática Proibida | Justificativa do DHS (Trump) | Fundamento da Juíza Menendez |
| Gás Lacrimogêneo | “Controle de ordem pública” | Uso indiscriminado viola o direito de reunião. |
| Detenção sem Suspeita | “Prevenção de terrorismo/imigração” | Prisão arbitrária sem causa provável é inconstitucional. |
| Munições de Impacto | “Proteção de agentes federais” | Força excessiva contra pacíficos causou a morte de Renee Good. |
| Ataque a Observadores | “Impedimento de obstrução” | Observadores e imprensa são protegidos pela Primeira Emenda. |
A resistência de Minnesota ecoa o que Roger Waters denunciou sobre a falência da democracia americana: um sistema onde a justiça precisa ser conquistada através de liminares contra o próprio Estado que deveria proteger o cidadão. Enquanto o governo federal recorre e tenta derrubar a decisão, alegando que o “Domo de Segurança” de Trump não pode ser limitado por juízes locais, a decisão de Menendez serve como um lembrete incômodo: nem todo o orçamento militar do mundo pode, legalmente, silenciar o luto de uma comunidade que se recusa a ser asfixiada em silêncio.
Foram citados nesta notícia: Kate Menendez, Renee Good, Departamento de Segurança Interna, Donald Trump, Reuters, NBC News.





