Fim de Papo

Alcolumbre barra impeachment de Moraes: ‘Nem com 81 assinaturas’

Presidente do Senado afirmou que não dará seguimento a pedidos contra ministros do STF, mesmo com 81 assinaturas
© Andressa Anholete/Agência Senado
© Andressa Anholete/Agência Senado
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Brasília, 7 de agosto de 2025 — O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), descartou publicamente qualquer possibilidade de avançar com o impeachment de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita nesta quarta-feira, durante reunião com líderes partidários da base e da oposição, em um recado direto à bancada bolsonarista.

Nem se tiver 81 assinaturas, ainda assim não pauto impeachment de ministro do STF para votar”, afirmou Alcolumbre, segundo relatos confirmados por parlamentares presentes. O número equivale ao total de senadores da Casa e indica o bloqueio absoluto do presidente da Casa à iniciativa — mesmo após oposicionistas afirmarem ter reunido as 41 assinaturas necessárias para admissão do pedido.


Oposição tenta avançar, mas encontra resistência interna

A pressão por uma ofensiva contra Alexandre de Moraes ganhou novo fôlego após a coleta das assinaturas mínimas para apresentação formal do pedido de impeachment. O movimento, capitaneado por senadores alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inclui nomes como Rogério Marinho (PL-RN), Tereza Cristina (PP-MS) e Marcos Rogério (PL-RO).

Apesar da negativa de Alcolumbre, o senador Carlos Portinho (PL-RJ) minimizou a resistência e afirmou que a proposta tem potencial de amadurecimento. “Um processo de impeachment não depende da vontade do presidente da Casa. Eduardo Cunha também dizia que não pautaria o impeachment da Dilma Rousseff, e uma hora o vento mudou”, declarou.

Portinho classificou a coleta das assinaturas como “uma vitória inicial” e disse que o foco agora é conquistar os 54 votos necessários para o afastamento de Moraes em plenário.


Como funciona o impeachment de ministros do STF no Senado

Pelo regimento interno do Senado Federal, o processo de impeachment contra ministros do STF só pode ser iniciado se o presidente da Casa aceitar o pedido. A partir daí, o texto é lido em plenário e encaminhado a uma comissão especial de 21 senadores, que tem dez dias para apresentar um parecer preliminar.

Se o parecer for favorável, a matéria vai ao plenário, onde precisa de maioria simples para ser instaurada. Para o afastamento do ministro, são exigidos 54 votos, equivalentes a dois terços dos senadores.

Apesar da previsão constitucional, nenhum impeachment de ministros do STF foi aprovado na história republicana. O único caso com desfecho concreto remonta a 1894, quando o Senado barrou a nomeação do médico Cândido Barata Ribeiro por falta de “notório saber jurídico”.


Entenda o que está em jogo

Por que Alcolumbre rejeitou o pedido de impeachment?
Segundo aliados, o presidente do Senado considera que aceitar o pedido neste momento aprofundaria a instabilidade institucional. Ele tem reforçado que o Senado não deve “se curvar à pressão política circunstancial”.

Qual é o argumento dos senadores bolsonaristas?
A ala mais radical da oposição acusa Moraes de extrapolar os limites constitucionais em decisões que atingem o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados. Para eles, houve abuso de autoridade.

O que diz a Constituição sobre o impeachment de ministros do STF?
A Constituição prevê julgamento por cinco tipos de crime de responsabilidade, mas os critérios são vagos e exigem forte articulação política.

Esse processo pode avançar mesmo com a recusa de Alcolumbre?
Não. A aceitação do presidente do Senado é pré-requisito para a tramitação. Sem isso, o processo não se movimenta institucionalmente.

Há precedentes de impeachment de ministros do STF?
Não. Nunca um ministro foi afastado por impeachment. O único caso semelhante foi a rejeição de uma nomeação, ainda no século XIX.


Bloqueio reforça blindagem do Supremo em cenário de tensão institucional

A postura de Davi Alcolumbre consolida o bloqueio político à investida da oposição contra a cúpula do Supremo Tribunal Federal, em meio ao avanço das investigações sobre ataques à democracia. O gesto também foi interpretado como sinal de alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que defende a estabilidade institucional frente a tentativas de deslegitimação do Judiciário.

A rejeição categórica do impeachment — mesmo diante da formalização do pedido — revela o isolamento dos bolsonaristas no Senado. Ainda que a pressão continue, os oposicionistas terão que superar barreiras internas e construir apoio político mais amplo para alterar a correlação de forças.

JR Vital

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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