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Cinismo Parlamentar

Paulinho da Força defende criminoso e acusa Lula de “queimar bandeira da paz”

Por Paulinho da Força defende criminoso e acusa Lula de "queimar bandeira da paz" | Diário Carioca JR Vital Analista Geopolítico

OS FATOS

  • O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) reagiu com virulência ao veto integral de Lula, classificando a manutenção do rigor legal como uma “declaração de guerra”.
  • O projeto relatado por ele criava uma engenharia jurídica para impedir a soma de penas e acelerar a soltura de condenados por ataques ao Estado Democrático de Direito.
  • A manobra do “PL da Dosimetria” visava, na prática, desidratar as sentenças do STF sob o pretexto de oferecer “previsibilidade jurídica” a criminosos.

A política brasileira possui personagens que confundem, com uma destreza quase artística, o balcão de negócios com a mesa de pacificação. Paulinho da Força, ao afirmar que o presidente Lula “rasgou a bandeira branca”, ignora que a paz em uma democracia não se assina com a tinta da impunidade.

Como no clássico “O Príncipe”, de Maquiavel, onde a conveniência muitas vezes tenta se vestir de virtude, o relator tenta convencer o país de que aliviar o castigo de quem tentou destruir o Congresso é um gesto de grandeza legislativa, e não uma rendição vergonhosa.

“Chamar a redução de penas para golpistas de ‘bandeira da paz’ é uma ofensa à gramática e à inteligência nacional; a paz sem justiça é apenas a ante sala do próximo levante.”

O que o projeto de Paulinho da Força realmente alterava na punição dos golpistas?

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O texto era uma peça de engenharia pró-impunidade. O ponto mais escandaloso proibia a soma de penas para crimes cometidos em um mesmo contexto — como se invadir, depredar e tentar derrubar um governo fossem infrações isoladas e não um conjunto criminoso orquestrado. Além disso, o deputado propunha a progressão de regime após o cumprimento de apenas 16,6% da pena, ignorando o uso de violência ou grave ameaça contra as instituições. Na prática, Paulinho da Força tentou legislar em causa própria para o bolsonarismo, transformando crimes de lesa-pátria em delitos de menor potencial ofensivo.

Qual a viabilidade da narrativa de “pacificação” usada pelo relator?

Nenhuma, fora do espectro do fisiologismo. A tentativa de Paulinho de desvincular o projeto da palavra “anistia” cai por terra diante da aritmética jurídica: se o resultado final é colocar o golpista na rua mais cedo e ignorar a gravidade das ações contra o Supremo Tribunal Federal, o nome é leniência. O discurso de “rasgar a bandeira da paz” é, no fundo, o lamento de quem viu uma manobra de bastidor ser barrada pela luz do sol da responsabilidade institucional. O Diário Carioca reafirma: não existe conciliação possível sobre os escombros da Constituição.


Expediente: 8 de janeiro de 2026, 14:35 | Edição: JR Vital (MTB 0037673/RJ). Siga o Diário Carioca: Instagram | X (Twitter) | Facebook.

Paulinho da Força defende criminoso e acusa Lula de "queimar bandeira da paz" | Diário Carioca

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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