Roger Waters não canta — mostra a realidade. Em um vídeo curto, direto e sem metáforas musicais, o músico britânico rompe o silêncio e enquadra a operação norte-americana que resultou na captura de Nicolás Maduro como aquilo que considera ser: um ato de força imperial fora das regras do direito internacional.
A indignação não é performática. Waters fala como alguém que, há décadas, usa a cultura pop como trincheira política. Ao pedir que os Estados Unidos “não toquem” na Venezuela, ele desloca o debate do campo ideológico para o princípio básico da soberania — um conceito que, em tempos de guerras híbridas e intervenções seletivas, voltou a ser tratado como detalhe incômodo.
Há ecos evidentes de George Orwell nesse momento. Assim como em 1984, a retórica da “ordem” e da “segurança” serve de verniz para ações que, despidas do discurso oficial, revelam coerção pura. Waters atua como o narrador que se recusa a aceitar o duplipensar geopolítico.
“Quando a força substitui o direito, a barbárie passa a se chamar política externa.”
Quando a música encontra a geopolítica
Um artista que nunca saiu do palco político
Desde os anos finais do Pink Floyd, Waters construiu uma trajetória marcada por críticas ao imperialismo, às guerras preventivas e à lógica de dominação global. Da Palestina à América Latina, sua atuação extrapola o entretenimento e entra no terreno do ativismo explícito.
O discurso contra os porcos de Washington
No vídeo publicado no X, o músico descreve os Estados Unidos como um “império” em ação e afirma estar “paralisado” diante do que chamou de agressão ativa contra o povo venezuelano. Dirigindo-se diretamente a Trump, dispara: “Cresça. O mundo é nosso, não seu”.
Apoio declarado à Venezuela
Waters afirma que, embora não seja um homem religioso, atuará politicamente para apoiar a Venezuela. A mensagem não é apenas de solidariedade simbólica, mas de engajamento — um chamado à resistência internacional diante do que considera abuso de poder.





