Hugo Motta, o prodígio da fisiologia parlamentar, resolveu que o apoio à democracia tem tabela de preços. Ao condicionar o endosso à reeleição de Lula a “gestos concretos” — o eufemismo moderno para loteamento de cargos e liberação de emendas —, o presidente da Câmara reedita o roteiro da chantagem institucional que sequestrou o orçamento público nos últimos anos. Historicamente, essa “reciprocidade” mencionada por Motta é o mesmo mecanismo que, no Brasil de 1800, sustentava o coronelismo: o apoio não é programático, é transacional.
Ao mesmo tempo, o aceno à derrubada do veto sobre a dosimetria das penas do 8 de janeiro mostra que, para o Republicanos, a justiça é negociável e a anistia aos fascistas é apenas mais uma ficha no cassino do poder.
OS FATOS:
- A Barganha: Hugo Motta afirma que decisão sobre 2026 depende de “gestos” do Planalto.
- O Foco Local: Prioriza aliança na Paraíba com João Azevêdo para blindar sua base regional.
- A Ameaça: Congresso sinaliza derrubada do veto de Lula sobre penas de golpistas do 8 de janeiro.
A Valsa dos Oportunistas
Como diria Bertolt Brecht, “quem não sabe a verdade é apenas um idiota, mas quem a sabe e a chama de mentira é um criminoso”. Motta sabe que a estabilidade do país depende da coesão democrática, mas prefere dançar a música dos bancos e das oligarquias. No palco da Paraíba, ele encena o aliado; no proscênio de Brasília, veste o figurino de algoz, flertando com a derrubada de vetos que visam punir quem tentou implodir o país. É a “Navalha Carioca” expondo o nervo: o Republicanos não busca diálogo, busca o monopólio da conveniência.
Essa postura de “esperar para ver” é a estética do vácuo moral. Enquanto o povo espera por infraestrutura e pão, o presidente da Câmara espera por “gestos” que satisfaçam a sede de poder de sua legenda. É o pragmatismo desprovido de alma, uma MPB de elevador tocando enquanto o país exige a força de um “Apesar de Você”. Motta quer ser o fiel da balança, mas corre o risco de ser apenas o peso morto que atrasa a reconstrução nacional em nome de um projeto paroquial de poder.
Cronologia da Conveniência: O pêndulo de Hugo Motta
| Momento | Discurso Público | Intenção Real (Bastidor) |
| Eleição da Câmara | “Independência e Harmonia” | Controle total do orçamento (RP9) |
| Vetos do 8 de Janeiro | “O Congresso analisará” | Aceno à base bolsonarista para 2026 |
| Apoio a Lula | “Depende de gestos concretos” | Leilão de ministérios e influência |
A queda do veto sobre a dosimetria do 8 de janeiro pode ser lida como uma vitória do fascismo no Legislativo?
Sem dúvida. Se o Congresso derrubar o veto, estará chancelando a leniência com o golpismo e enviando uma mensagem de que atentar contra a democracia é um crime de baixo custo no Brasil. Hugo Motta, ao lavar as mãos, não atua como magistrado, mas como facilitador de uma impunidade que serve de combustível para os próximos retrocessos que o Diário Carioca não cansa de combater.





