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“Este é nosso hemisfério”: Trump lança propaganda nazifascista que ecoa a estética de Hitler

Por JR Vital Analista Geopolítico

Há frases que não são apenas declarações — são avisos. “Este é o NOSSO hemisfério”, escreveu o governo dos Estados Unidos, em letras calculadas e com a palavra “nosso” tingida de vermelho, acompanhando a imagem solene de Donald Trump. Não se trata apenas de política externa, mas de encenação. A estética importa porque a mensagem é de poder, não de diálogo.

A história conhece bem esse roteiro. A propaganda nazista, sob Joseph Goebbels, não se limitava a informar: ela delimitava pertencimento, criava inimigos e transformava espaço geográfico em destino inevitável. O “Lebensraum”, o espaço vital alemão, era apresentado como direito natural, quase biológico. Guardadas as proporções históricas, o princípio retórico é semelhante: há um “nós” que manda e um “outro” que deve se submeter.

“Toda propaganda de domínio começa com um pronome possessivo.”

Publicação neonazista dos EUA
Publicação neonazista dos EUA

A linguagem como arma

O uso do pronome “nosso” não é acidental. Ele exclui, hierarquiza e naturaliza a ideia de tutela. Ao afirmar que o Hemisfério Ocidental pertence aos Estados Unidos, a mensagem reatualiza a Doutrina Monroe em versão crua: a América para os americanos — desde que americanos signifique Washington.

Na Alemanha dos anos 1930, cartazes, cores e frases curtas serviam para transformar conceitos complexos em certezas emocionais. O vermelho, usado para destacar palavras-chave, não era apenas cor: era comando visual. O post do Departamento de Estado segue manual semelhante de simplificação e impacto.

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Maduro como símbolo disciplinador

O artigo da Casa Branca e as declarações atribuídas a Marco Rubio reforçam que a captura de Nicolás Maduro funciona também como advertência. O líder venezuelano é apresentado como ameaça exemplar — narcoterrorismo, alianças hostis, risco sistêmico. Não importa apenas o indivíduo, mas o recado: quem desafiar a ordem imposta será enquadrado.

Na propaganda totalitária, o inimigo cumpre função pedagógica. Ele ensina pelo medo o que acontece aos dissidentes.

Segurança ou pretexto?

O argumento da segurança é antigo e eficaz. Também foi assim no século XX europeu: tudo era feito em nome da proteção da nação. A diferença é que, hoje, o discurso vem embalado em linguagem jurídica e institucional, mas conserva a mesma lógica de exceção permanente.

A retórica de que “não permitiremos ameaças” dispensa consenso internacional e relativiza fronteiras alheias. Quando repetida, ela deixa de ser opinião e passa a ser doutrina.

O risco da normalização

A história mostra que a propaganda não anuncia seus fins mais extremos de imediato. Ela avança passo a passo, normalizando ideias que antes causariam repulsa. Declarar posse simbólica de um hemisfério pode soar retórico hoje; amanhã, vira justificativa.

Não é a comparação fácil que importa, mas o alerta histórico: regimes autoritários não começam com campos de batalha, mas com slogans bem desenhados.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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