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Regime Trump prende mulher ao Vivo por criticar ações contra Venezuela

Por JR Vital Analista Geopolítico

A democracia americana, que assim como Maduro foi sequestrada pelo regime ditatorial de Donald Trump, gosta de se apresentar como vitrine. No último sábado, porém, o vidro trincou em rede nacional. Em Grand Rapids, Michigan, a educadora e ativista anti-guerra Jessica Plichta, 22 anos, foi algemada ao vivo enquanto concedia uma entrevista denunciando o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e acusando o governo Donald Trump de crimes de guerra.

As câmeras captaram o instante exato em que a palavra foi interrompida pela força. Plichta falava sobre o protesto quando policiais surgiram por trás, encerraram a entrevista e a conduziram algemada. “São os nossos impostos financiando esses crimes”, dizia ela segundos antes. Ao ser levada, ainda registrou: “Eu não estou resistindo à prisão”.

De Thoreau a McCarthy, a dissidência sob vigilância

A história americana é atravessada por prisões exemplares. Henry David Thoreau foi encarcerado por se recusar a pagar impostos contra a guerra; nos anos 1950, o macartismo caçou vozes críticas em nome da segurança nacional. A cena em Michigan dialoga com esse passado: quando o discurso confronta o poder, o Estado testa seus limites.

“Quando a polícia entra em cena para calar a fala, a liberdade deixa de ser princípio e vira concessão.”

Seletividade em questão

Segundo a própria Plichta, cerca de 200 pessoas participavam do ato, mas apenas ela foi detida — justamente após criticar Trump diante das câmeras. Em entrevista posterior, afirmou não acreditar em coincidência. A polícia local sustenta que a prisão se deu por “obstrução da via pública e descumprimento de ordens legais”, alegando avisos para liberação da via.

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O contraste entre versões amplia a suspeita: por que a aplicação da lei recaiu sobre quem acabara de expor uma crítica frontal à política externa do governo?

Três horas de silêncio forçado

A ativista permaneceu cerca de três horas detida e foi liberada sem maiores explicações públicas. Antes do episódio, ela havia retornado da Venezuela, onde participou de um encontro internacional de movimentos sociais em defesa da autodeterminação latino-americana — informação que, somada à prisão seletiva, alimenta a leitura política do caso.

O recado transmitido

Mais do que um incidente local, a prisão ao vivo funciona como aviso. Em tempos de polarização extrema, o custo do dissenso aumenta, e o espetáculo da força cumpre papel pedagógico: intimida, desencoraja, enquadra.

A entrevista acabou; o debate, não. E a pergunta que fica é simples e incômoda: quem pode falar quando a câmera está ligada?

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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