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Imperialismo Totalitarista

EUA chamam ocidente de “quintal” e prometem ofensiva contra outros governos

Declaração do Departamento de Estado revive a Doutrina Monroe e escancara o discurso de dominação após a invasão da Venezuela.

Por JR Vital Analista Geopolítico

Poucas palavras dizem tanto quanto “quintal”. Ao usar o termo para se referir à América Latina, o governo dos Estados Unidos não apenas escolheu uma metáfora infeliz — revelou uma visão de mundo.

Em publicação oficial nas redes sociais nesta terça-feira (6), o Departamento de Estado afirmou que Washington empregará “todas as ferramentas” disponíveis para combater traficantes, grupos ligados ao Irã e “regimes hostis” no chamado Hemisfério Ocidental. A região, sem rodeios, foi apresentada como área de domínio direto dos EUA.

A mensagem ecoa o discurso de Donald Trump e surge poucos dias após a operação militar que resultou na invasão da Venezuela e no sequestro do presidente Nicolás Maduro em Caracas. Ao declarar que “os dias de fraqueza acabaram”, Washington reafirma uma lógica antiga com linguagem contemporânea: segurança nacional como justificativa para intervenção permanente.

A volta do fantasma da Doutrina Monroe

A retórica não é nova. Em 1823, a Doutrina Monroe anunciou que a América era “para os americanos” — leia-se, para os Estados Unidos. Dois séculos depois, a atualização digital da tese surge em 280 caracteres, mas preserva o mesmo subtexto: soberania latino-americana como concessão revogável. Diplomatas e analistas apontam que o uso explícito de “backyard” rompe até mesmo com o verniz diplomático habitual, substituindo eufemismos por franqueza imperial.

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A associação automática entre governos latino-americanos, narcotráfico e ameaças externas também cumpre função política. Simplifica conflitos complexos e constrói um inimigo difuso, conveniente para legitimar ações unilaterais — da pressão econômica à intervenção militar.

Contradições e ajustes na narrativa

O endurecimento do discurso ocorre ao mesmo tempo em que o próprio governo dos EUA revisa acusações formais contra Maduro. Após o sequestro, autoridades recuaram da afirmação de que ele comandaria o chamado Cartel de Los Soles. O grupo passou a ser descrito não mais como uma organização hierárquica, mas como uma “rede de redes” ligada a setores da elite venezuelana. A mudança expõe fissuras na narrativa que sustentou a operação.

Maduro, que se declarou inocente em audiência em Nova York, afirma ser um “prisioneiro de guerra”. Já líderes regionais, como o presidente colombiano Gustavo Petro, questionam a própria existência do cartel como estrutura internacional e relacionam a ofensiva americana à disputa pelo petróleo venezuelano.

“Quando uma potência chama povos inteiros de quintal, não está falando de segurança — está falando de posse.”

Entre soberania e submissão

A nova linguagem do Departamento de Estado não é um deslize retórico isolado, mas parte de um encadeamento político claro. Invasão, sequestro, revisão seletiva de acusações e, por fim, a reafirmação pública da América Latina como área de influência direta. A história mostra que impérios raramente anunciam o próprio declínio; costumam, antes, falar mais alto — e com menos pudor.

O resultado é uma região novamente empurrada para o papel de cenário, não de sujeito, num tabuleiro geopolítico que insiste em ignorar fronteiras, autodeterminação e memória histórica.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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