OS FATOS
- A China impôs restrições a 42% das exportações japonesas, alegando uso militar, após a premiê Takaichi sugerir defesa de Taiwan.
- A economia japonesa flerta com a estagflação: salários crescem apenas 0,9% enquanto a inflação atinge 3% e os juros sobem.
- Donald Trump exige um “bônus de assinatura” de US$ 550 bilhões para não sobretaxar produtos japoneses em 15%.
O Japão de 2026 parece um passageiro de primeira classe em um navio que perdeu o radar. Sob a liderança de Sanae Takaichi, o país descobriu da pior maneira que a fidelidade canina aos Estados Unidos não compra imunidade no novo tabuleiro geopolítico. Enquanto Pequim retalia com o peso de sua hegemonia comercial, Washington, sob o comando de um Donald Trump mais transacional do que nunca, trata a histórica aliança de segurança como um serviço de proteção de gangue, onde o boleto de US$ 550 bilhões é a única linguagem que a Casa Branca entende.
“O Japão acreditava estar sob um guarda-chuva nuclear; descobriu que está sob um esquema de extorsão onde o protetor é tão imprevisível quanto o adversário.”
Como a retaliação de Xi Jinping por Taiwan paralisou a indústria japonesa?
O erro de cálculo de Takaichi em novembro, ao endurecer o tom sobre Taiwan, custou caro. Xi Jinping não respondeu com retórica, mas com o “botão de pânico” comercial: cortou o acesso de 42% dos produtos japoneses ao mercado chinês, focando em bens de uso dual. Para a “Japan Inc.”, isso é um infarto logístico. Com o consumo interno travado por salários que não acompanham a inflação, o Japão se vê isolado em um momento de vulnerabilidade existencial, enquanto a China observa o governo Trump agir com a mesma truculência militar na Venezuela, temendo que o próximo alvo de um “efeito dominó” seja justamente o estreito de Taiwan.
Por que o governo Trump 2.0 é visto como uma ameaça à segurança de Tóquio?
A doutrina Trump não conhece a história; ela conhece o caixa. Ao reclamar publicamente que o Japão “não protege os EUA”, Trump ignora os acordos de rendição de 1945 e a própria Constituição pacifista japonesa para exigir pagamentos bilionários. O silêncio ensurdecedor de Washington diante das sanções chinesas contra Tóquio em novembro foi o sinal definitivo: o Japão está sozinho. Se a Casa Branca pode sequestrar um chefe de Estado na Venezuela para garantir petróleo, o que impede Trump de abandonar o Japão à própria sorte se o “cheque” de US$ 550 bilhões não for assinado? Para o Diário Carioca, o Japão é a prova viva de que, no mundo de Trump e Xi, não há espaço para aliados, apenas para satélites ou alvos.
Expediente: 9 de janeiro de 2026, 10:15 | Edição: JR Vital (MTB 0037673/RJ). Siga o Diário Carioca: Instagram | X (Twitter) | Facebook.





